A escola e o processo de Impeachment da presidente Dilma

A escola e o processo de Impeachment da presidente Dilma

Natália Venâncio

20 Abril 2016 | 13h15

Camara dos deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, em 17 de abril, o prosseguimento do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff no Senado – foram 367 votos favoráveis e 137 contrários. O cenário de efervescência política também mexe com a estrutura da instituição escolar.

A primeira pergunta que surge entre nós educadores é: ‘Qual a importância de fomentar a educação política no Brasil?’ Diante de uma democracia jovem, os desafios são imensos. Enquanto multidões de pessoas ocupam as ruas, reivindicando direitos ou mostrando insatisfações, como podemos tratar de temas políticos em sala de aula de modo pacífico e esclarecedor? De modo a ir além das informações utilitárias, tais como a organização do Governo Federal (ministérios, secretarias especiais, autarquias, agências reguladoras e conselhos), a Constituição Federal de 1988, entre outros?

No Colégio Marista Arquidiocesano, temos aulas de atualidades no Ensino Médio com o objetivo de incentivar as práticas democráticas. É uma janela importante para tratar do momento atual. O Estado Islâmico e o terrorismo, o zika vírus e a microcefalia, a crise dos refugiados na Europa, a Operação Lava Jato, o Processo de impeachment de Dilma Rousseff, são alguns dos assuntos em pauta. Especificamente em relação ao impeachment, o interesse dos alunos tem sido muito grande, eles participam das aulas com perguntas e pedem informações extras (indicação de sites confiáveis, por exemplo).

Nossa intenção com as aulas nunca foi reduzir a política à questão partidária, mas relacioná-la às práticas de cidadania, afinal política e cidadania têm tudo a ver. É interessante observar essa geração de adolescentes, que serão os nossos diretores de empresas, nossos formadores de opinião, nossos políticos (por que não?), tomando gosto pela leitura de jornais e pelo cenário político-social-econômico brasileiro. Muitos dizem erroneamente que essa geração – também conhecida como Geração Z – é apática, mas o que ocorre é outro tipo de engajamento, um engajamento que tem o apoio das novas tecnologias. As redes sociais tornaram-se local de debate e de troca de ideias. E eles trocam muito, discutem muito e perguntam muito. Na definição dos Maristas, tal fato é denominado de protagonismo juvenil.

Travar um bom diálogo sobre política em sala de aula e mostrar que é importante incluir a sociedade nas decisões é uma das tônicas do projeto de atualidades. É bonito observar que não é necessário sair do tom e é possível ouvir opiniões diversas acerca de um mesmo tema.

Com esse olhar, observei com curiosidade o lançamento de um “manual da paz política”, com dicas sobre como fugir de confrontos e brigas em discussões políticas, iniciativa de Denigés Neto, professor de psicologia e mestre pelo programa de Psicologia Experimental: Análise do Comportamento, da PUC-SP. Nele, há máximas, tais como “A dúvida ou o meio termo são posições legítimas”, “Manter o foco no assunto é uma boa alternativa”, “Não discuta até a exaustão”, “Valorize a opinião alheia”, entre outras.

(Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/04/15/manual-de-professor-de-psicologia-da-dicas-para-discutir-politica-sem-briga.htm#fotoNav=8).

Creio que seja por aí, com informação e com viés propositivo, nossos jovens poderão fazer uma nação melhor.

Por Marisa Ester Rosseto, Diretora Educacional do Colégio Marista Arquidiocesano