A adolescência chegou. O que fazer?  Dicas de Leo Fraiman no Arquidiocesano

A adolescência chegou. O que fazer? Dicas de Leo Fraiman no Arquidiocesano

Paulo Adolfo

19 Outubro 2016 | 14h25

Leo Fraiman.Still005 Leo Fraiman.Still011 Leo Fraiman.Still012

Dando continuidade ao Projeto Passagem, tivemos em 4 de outubro, no Marista Arquidiocesano, a presença do Professor Leo Fraiman, psicoterapeuta especialista em psicologia educacional e consultor de carreiras. Pais de alunos do 6° ano tiveram a oportunidade de entender melhor o tema: “Psicologia e Adolescência: filhos e filhas chegaram à adolescência. E agora?”.

Segundo o especialista, educar os filhos na adolescência é um grande desafio. Para que se possa transitar por esta fase tão delicada, tão intensa e tão importante, não somente para os filhos como para toda a família, um dos principais desafios é a definição do nosso foco. Isso vale tanto para uma reflexão sobre o quanto se utiliza as redes sociais e os diversos dispositivos eletrônicos, como para o que se quer realmente como missão familiar dentro do lar.

Segundo diversos estudos, crianças e jovens brasileiros passam muito tempo em frente das mais diversas telas (celular, games, tablets, televisão, etc.). Se isso, por um lado, traz entretenimento e enriquecimento do repertório cultural e de informações, por outro, pode roubar preciosas horas de sono, de habilidades de convivência e mesmo do tão importante autoconhecimento. É tarefa dos pais ajudar os filhos nessa organização do dia a dia, definindo um horário para dormir e negociando menos quando uma atitude dos filhos impacta na saúde. Sim, é importante que sejam os adultos responsáveis por dar a palavra final em alguns aspectos, principalmente quando percebem que os filhos não conseguem conter a si mesmos.

Na adolescência o córtex pré-frontal, área do cérebro que é uma das principais responsáveis pelo controle de impulso, pelo freio moral e pela percepção da consequência dos nossos atos, ainda não está plenamente formado e o primeiro desafio é manter o foco na mensagem, com assertividade, sem gritar nem se omitir, e mantendo o foco em orientar caminhos para que os filhos cresçam com maturidade, com saúde e com equilíbrio. O segundo foco diz respeito a ter alinhamento entre os adultos sobre os valores que se pretende praticar no lar. Se, por exemplo, os pais decidem que querem ter filhos com o valor da sabedoria, então não é possível organizar todos os passeios em lugares de compras. É importante visitar livrarias, dar livros de presente, conversar sobre novos conhecimentos durante as refeições. Assim, ajudando os filhos a crescer em um ambiente em que há coerência entre o que se fala e o que se faz, entre aquilo que a família procura transmitir ao filho e principalmente entre os valores que se espera da escola e os valores que são praticados pela família; os filhos têm mais chances de crescer com segurança, autonomia e com a sensação de coerência entre as instituições que o formam. Dessa forma, casa e escola juntas constroem um caminho mais saudável, mais seguro e mais claro para que o jovem possa, com o tempo, desenvolver a sua maturidade e a sua autonomia.