Você tem fome de quê, mesmo?

Você tem fome de quê, mesmo?

Colégio Ítaca

13 Março 2015 | 13h14

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“Come direito, menino, não come só porcaria” ou, pelo outro lado, “que lindo, tão fofinho; ah, não se preocupe com essa barriguinha agora, depois você cresce e ela some” … e por aí vai. Convenhamos que esses discursos não têm muito efeito sobre nossas crianças e adolescentes.

Os índices de obesidade infantil e sobrepeso em crianças e adolescentes aumentaram consideravelmente nos últimos anos. Como consequência, surgem problemas precoces de saúde e a entrada em uma fase adulta já, muitas vezes, comprometida. Hoje, as famílias buscam manter um estilo de vida saudável, mas é difícil driblar não só códigos ininteligíveis em embalagens multicoloridas, como também apelos nos bombardeando de todas as formas.

E o que a escola tem a ver com isso? Escola é lugar de falar de comida?

Não só é, como pode fornecer, em defesa da alimentação saudável, argumentos que vão além dos que entram por um ouvido e saem pelo outro… sem nem passar pelo estômago, aliás.

Mas, como? Fundamentalmente buscando informar e formar um sujeito que, esclarecido, será capaz ele mesmo de fazer escolhas saudáveis e, inclusive, orientar a família.

É assim que, no EF2 do Ítaca, desde o 6º ano, tratamos do assunto: o que são gordura trans, carboidratos, fibras, proteínas, sódio, e todas aquelas porcentagens diárias? É preciso dominar termos recorrentes na mídia e nas embalagens e perceber as estratégias de marketing da indústria. Porém, ainda é preciso trazer isso para a vida de cada aluno, mais concretamente, então cada um aprende – nas aulas de Educação Física – a calcular seu Índice de Massa Corpórea, após aferirem peso e altura, para iniciar também um processo de autoconhecimento que levará à saúde. Esses assuntos são retomados durante os anos seguintes, de perspectivas variadas.

Já no 9º ano, aprofunda-se o trabalho nas aulas de Ciências, com ênfase na diferenciação química entre uma proteína e um carboidrato, por exemplo. Em Matemática, trabalham-se os cálculos de porcentagem (%VD) e valores energéticos de um produto, baseado na informação da embalagem. Essas etapas permitem maior clareza quanto à compreensão do cardápio diário e das armadilhas energéticas, lipídicas e de minerais presentes em encantadores produtos industrializados.

Finalmente, os alunos elaboram planos para gastar a energia adquirida, pois, ao quantificar esta energia e traduzi-la em exercícios físicos, vivenciam números que, até então, apenas escritos nas embalagens dos produtos, não pareciam tão absurdos em termos de kcal. Nessa fase, é também essencial chamar a atenção dos adolescentes para problemas relacionados a distúrbios alimentares – como anorexia, bulimia, obesidade e subnutrição.

Informados e conscientizados, todos poderão avaliar cardápios (como os de casa ou os da cantina do colégio, por exemplo) e dizer se são saudáveis, nutritivos, balanceados e como se poderia melhorá-los. Do mesmo modo, devem passar à prática bem cotidiana, inclusive auxiliando nas escolhas alimentares da família.

E, importante: vão descobrir que não é preciso evitar para sempre as perigosas e deliciosas guloseimas, pois podem avaliar criteriosamente quando e em que quantidade elas entrarão na sua alimentação. Isso ajuda a garantir uma adolescência com saúde, à espera de uma fase adulta responsável. O efeito é multiplicador, sem dúvida. E dá pra ter fome de tudo…

 

Texto de Patrícia Monteiro, professora de Ciências EF2.