Vestibular, casamento e divórcio

Colégio FAAP

16 Outubro 2015 | 14h21

Se à primeira vista o tema possa parecer esquizoide, uma pitada de paciência será suficiente para demonstrarmos o paralelismo entre tais assuntos na vida dos adolescentes.

Desde a chegada ao ensino médio, jovens e suas famílias passam a conviver com o fantasma do vestibular enquanto antessala da profissão e do futuro. Tais “assombrações” podem levar, por pura precipitação, a dois perigosos riscos: o primeiro, menos comum, que é o da certeza vocacional, “esse menino nasceu para ser…”; o segundo, mais frequente e angustiante, “o vestibular está chegando e ele nem tem ideia do que quer ser”.

Chegamos ao ponto: maus casamentos e carreiras equivocadas têm, quase que em iguais proporções, custos financeiros e emocionais de difícil ressarcimento e deixam marcas de custosa recuperação.

Da mesma maneira que um casamento de adolescentes é motivo de preocupação e de muita ponderação das famílias, a escolha da faculdade e, por consequência da futura profissão, não pode ser premida por outros prazos que não sejam aqueles nascidos da reflexão calma e amadurecida distante de pressões familiares ou sociais.

A “síndrome do vestibular”, que se inicia no ensino médio, pode começar a comprometer a vida de um jovem a partir da escolha inadequada de um ”colégio puxado” para entrar nas melhores universidades: nunca é demais lembrar que a escolha de um colégio deve, acima de qualquer critério, obedecer à busca de um projeto educacional que, se coerente com os valores da família e adequado ao perfil pessoal do estudante, certamente, resultará em êxito acadêmico. Buscar uma escola não considerando a barreira do vestibular e a universidade é, seguramente, pouco sensato, mas fazê-lo tendo tais barreiras como prioritárias, é tratar de doenças possíveis quando, o correto, é construir a saúde do organismo.

O caminho seguro para o êxito nos vestibulares e na vida acadêmica depende de um processo pedagógico anterior que ampare e estimule o educando a conquistar a lógica das ciências. A busca obsessiva de conteúdos, numa frenética competição por êxito escolar, pode ser fator de atrofia do aprender: eficácia escolar só prospera em atmosfera de felicidade, pois o prazer de estudar é fruto exclusivo do entender o que se estuda e não de massacres avaliativos que pouco têm relação com meritocracia.

Deste modo, sucesso nos vestibulares é resultante de um demorado e delicado processo de formação científica em cuidadoso paralelismo com a formação do jovem para não gerar traumas e, sobretudo, derrotados que foram levados à batalha antes do tempo.

Por fim, como um arremate à metáfora inicial, dificilmente uma vida acadêmica será plena de sucesso sem uma opção amadurecida o que, por sua vez, depende de um processo de orientação vocacional cuidadoso que, desde o início do ensino médio, permita ao educando se conhecer, relativizar as pressões externas para ter mais segurança na escolha da profissão que, encantando-o, o faça feliz para sempre.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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