Uma nova escola: um contrato de mútua confiança

Colégio FAAP

05 Outubro 2018 | 11h37

Acompanhando o noticiário educacional, constatei que reportagens orientando para a escolha de uma nova escola carecem de um dado essencial para que um contrato de prestação de serviços educacionais seja eficaz.

Assim, as abordagens iniciais gravitam ao redor daquelas orientações básicas quanto à coincidência dos valores e objetivos familiares com o projeto pedagógico da nova escola. E isso implica em tarefa complexa, ou seja, demanda pesquisa cuidadosa e algum conhecimento pedagógico para saber o que buscar.

Além do que a nova instituição propõe formalmente, é essencial que entrevistas com a coordenação, visitas à escola em funcionamento, consultas a alunos e a ex-alunos busquem revelar as características efetivas do projeto pedagógico concreto, em suas inúmeras decorrências práticas no cotidiano.

No entanto, será no desgaste natural da vida do cotidiano escolar que o dado olvidado no noticiário fará a diferença essencial. Falamos da confiança mútua entre contratantes, alicerce de qualquer contrato, mas que em educação é vital. Daí a necessidade de um conhecimento o mais pleno possível da escola em questão e  a imposição de que não se tenha pressa na avaliação de todas as condições oferecidas e, sobretudo, a importância de não se escolher uma escola por modismos, por variáveis como preço e localização, ou por qualquer outra que não seja a confiança plena no projeto pedagógico a ser desenvolvido.

Nas incontáveis dificuldades que a vida escolar pode oferecer em termos de desgastes, a falta de confiança de qualquer uma das partes envolvidas pode gerar comprometimentos altamente negativos que poderão comprometer a vida escolar e, não raro, uma vida.

Nesse sentido, um princípio seguro, uma vez que confiança é um processo de construção permanente, só matricule seu filho numa nova instituição quando todas as dúvidas forem esclarecidas, quando não houver nenhum ponto obscuro, ou nenhum senão. Caso contrário, ante as primeiras dificuldades, corre-se o risco de uma nova escola e uma possível nova decepção.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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