Uma decisão sensata e inusitada

Colégio FAAP

29 de novembro de 2019 | 09h24

Quanto mais convivo com crianças e jovens, mais me surpreendo com seu bom senso que, em contradição com o mau exemplo dos mais velhos, me faz crer numa força racional que ultrapassa contextos negativos e que confirma a benignidade da natureza humana.

Prerrogativa e obrigação de um educador, tento ouvir o mais que possa, de tantos quantos posso, tudo o que me faça melhor compreender o complexo universo da educação em tempos de deseducar.

Neste final de ano letivo, quando o choro e o ranger de dentes da ameaça do “desastre escolar” se faz ouvir; quando se buscam todos os argumentos e caminhos possíveis para atalhar o fracasso inevitável; nessa “epopeia” de se contornar responsabilidades esquecidas, ou irresponsabilidades compartilhadas com os “responsáveis”, ouvimos discursos que, começando com as tentativas de se “socializar com a escola” o fracasso, acabam por buscar as saídas mais fáceis “e onerosas dos vendedores de diplomas”: neste último quesito, é bom ressaltar, os “responsáveis” têm papel decisivo.

Um dos mais comuns argumentos utilizados por esses trânsfugas da responsabilidade escolar é o de “ano perdido” que é complementado, geralmente, por outra falácia, “quando ele amadurecer recuperará”: facilitar a superação de obstáculos, negociar com a responsabilidade  pelos erros e comprar saídas são formas seguras de se infantilizar, para sempre, um ser humano.

Cumpre ressaltar que, inúmeras famílias, buscando outros colégios ante fracassos escolares, tentam métodos alternativos, o que não significa promoções enganosas e caras: reprovações podem, também, ser frutos da inadaptação do estudante frente a um projeto pedagógico inadequado, o que justifica novas alternativas.

Aqui trago o inusitado, onde o crescimento escolar pode ser medido pelo fracasso!

Um aluno, às vésperas de uma reprovação inevitável, assumindo responsabilidades, fez do seu fracasso uma linda vitória com uma frase lapidar: “quero repetir, quero provar que posso, ficando aqui!”.

Sem dúvida que o amor pelo Colégio pesou; é provável que a perspectiva do novo tenha inibido a mudança, mas nada disso é mais forte do que a pecha social da reprovação.

Assim, o inusitado, onde o crescimento escolar pôde ser medido pelo fracasso!

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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