Um novo olhar sobre antigos eventos: vestibulares e provas

Colégio FAAP

17 de maio de 2019 | 10h15

Convidado para falar de um pesadelo juvenil muito antigo, os vestibulares, tento, de diferentes ângulos de visão, atenuar essa tão presente “ameaça” e mostrar como nós, da FAAP, entendemos esse momento da vida escolar.

Hoje, os chamados “processos seletivos” (um eufemismo modernizante) conservam, ainda, traços de um passado ameaçador. Mesmo que a oferta de vagas tenha se expandido num vertiginoso crescimento, cobrindo um amplo espectro de possibilidades financeiras e vocacionais, a disputa por vagas nas melhores escolas prossegue sendo encarada de modo muito pouco pedagógico pela sociedade e, lamentavelmente, por muitas instituições de ensino.

Não há como discutir e nem anular a insegurança que envolve uma avaliação num rito de passagem na vida de um jovem, mesmo porque, não há como se evitar desafios e riscos. Um dos erros que nós educadores cometemos é o de buscar proteger nossos jovens de toda e qualquer eventualidade infeliz. O que importa é estarmos sempre juntos para ajudá-los a entender e superar as quedas.

No entanto, o que nós educadores temos buscado na FAAP, nos limites técnicos da nossa missão, é fazer do processo seletivo, bem como de todas as avaliações, momentos pedagógicos de aprendizagem. Hercúleo desafio que encontra resistências culturais em quase todos os seguimentos ligados à educação.

É preciso treinar e conscientizar professores que o processo de dessacralização das avaliações não deve ser encarado como forma de facilitação da promoção, mas como instrumento para se evitar a sensação de “julgamentos capitais”. Revestir uma prova desse caráter vital é conferir ao avaliador um poder e uma autoridade que nenhum ser humano deve ter sobre o destino de outro.

Talvez um dos núcleos essenciais dessas resistências seja, exatamente, o poder que a avaliação confere ao avaliador, algo que é de natureza diversa da autoridade, objetivo supremo do educador.

Aprender com o erro, saber encarar o infortúnio e os percalços como acidentes de aprendizado e não como derrotas fatais é trabalho essencial de educar.

Assim, provas encaradas e elaboradas como instrumentos relativos de seleção, buscando avaliar sem “armadilhas”, pulverizando ao máximo os momentos de avaliação no sentido de acompanhar a evolução do processo de aprendizado, é a forma correta de se buscar uma das mais delicadas e difíceis tarefas da educação: medir o crescimento do educando.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

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