Um ano que não terminou, desafios potencializados

Colégio FAAP

08 de janeiro de 2021 | 15h12

Até o mais míope analista de realidade entende que as folhinhas do calendário, diversamente das arbóreas, quando caem, não definem mudanças efetivas nos contextos da vida. Os efeitos imagéticos de um ano que começa não nos iludem que tempos novos começaram!

Redundantes, mas não desesperançados, nós, educadores, insistindo no óbvio, em nosso dias, cumprimos uma incômoda, mas muito vital obrigação: nunca assistimos evidências ser tanto ignoradas, na negação dos mais elementares princípios consagrados da ciência, da higiene elementar, do convívio humano civilizado, nos dando a sensação de que o bom senso e a racionalidade se tornaram apanágio de dissidentes esquizofrênicos.

Vivemos uma pane da razão que vitima milhares de vidas!

Mas o que importa é a reconstrução, o potencializar a lucidez dos que não se deixaram obnubilar pelo desespero, nem se desanimar pela constatação do delírio dos alienados. Nós, credores da esperança, devemos ter muito claro que as ferramentas, os meios utilizados na primeira fase desta guerra para se educar na exceção devem ser repensados.

Há que ouvirmos (como fase inicial e indispensável do repensar dessa pedagogia do inusitado) todos os envolvidos no processo educacional para que nossas reflexões não sejam contaminadas pelos fracassos decorrentes da premência das mudanças e, muito menos, por êxitos que possam ter perdido sua eficácia pelo uso intensivo. Falo aqui das ferramentas do ensino a distância que, nesta primeira onda, ficaram marcadas pelas dores do exílio e da solidão e corrompidas pelo uso excessivo.

Mais do nunca, educar será um exercício real e essencial de criatividade, caminho que não poderá ser repetido, uma vez que paisagens inóspitas deixarão os guias perdidos na solidão e na inutilidade dos pregadores no deserto.

Repensar as estratégias pedagógicas e didáticas não será, apenas, condição vital de sobrevivência de instituições, mas, acima de tudo, será tentativa indeclinável de se resgatar os objetivos educacionais universais.

Sentados nos eventuais louros de um sucesso efêmero, os educadores os transformarão nas piras de sacrifício de toda uma geração. Longe de qualquer exagero retórico, basta se contemplar o massacre implementado pelos retrógrados, pelos irresponáveis filhos da propotência!

 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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