Tempos duros, tempos de ressignificação da vida

Colégio FAAP

23 de dezembro de 2021 | 11h00

Aprender com o infortúnio é uma das essências da pedagogia!

Sem dúvida que se pode contra-argumentar que a alegria, também, é uma forma de aprendizado. E de fato o é. A fixidez dos momentos felizes perpetuando informações e tornando-as fonte de aprendizado são testemunhados pelo quanto elegemos os nossos melhores professores pelo bom humor, pela alegria de suas aulas que tornaram conteúdos insípidos em algo acessível e, até, desejável.

Mas quando o infortúnio (evento essencialmente humano e inevitável) se impõe em nossa vidas, nada é mais infra racional do que procurar desconsiderá-lo tão logo a dor ou o incômodo desaparecem.

Mesmo que esse tipo de fato específico possa não se repetir, mesmo que as desgraças ressurjam com formas e momentos tão diferentes que a experiência de pouco possa ser útil em termos práticos, o saber resistir de forma racional, a capacidade de, em meio ao caos, buscar soluções, são atitudes que apenas o vivenciar inteligente pode propiciar.

É desnecessário e, até ofensivo, justificar a atualidade do tema. No entanto, nós educadores que estamos entranhados na realidade de forma crítica, sentimos, mais do que o dever desta análise, a urgência na medida em que os móveis da crise que atravessamos não estão afastados.

Nos escusamos abordar o nefasto fenômeno que se designou chamar de negacionismo. Em tempos nos quais a ciência de vanguarda superou a ficção, num contexto que ela salvou a humanidade de uma incomparável hecatombe, um retorno à barbárie, emburrecendo os incautos por objetivos escusos, é uma apologia da insanidade, é a negação mesma da civilização.

Precisamos estar atentos para a demonstração educacional da eficácia científica que, de forma alguma pode ser verdade dogmática. É a descoberta constante da reavaliação das limitações humanas e, por isso, vitórias da racionalidade e da dimensão relativa do homem frente à natureza.

Lutar para que as dificuldades superadas sejam refletidas e assimiladas, suscitar o orgulho em nossos alunos pela superação das surpresas e osbstáculos, é valorizar sacrifícios, incentivar nossos alunos a viverem seu passado de forma consciente e, efetivamente, incrementar sua maturidade.  É fazê-los agentes de transformação de seu tempo!

E esse será nosso grande presente de Natal!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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