Tempos difíceis, tempos bons para aprender

Colégio FAAP

03 Agosto 2018 | 11h58

Abrir o noticiário, atualmente, é abrir uma porta para incertezas e desalentos. É, também, uma oportunidade para transformar nossa história em rico material de estudo.

Para nós, professores de história e educadores, momentos de crise devem ser encarados como excelentes oportunidades de trazer nossos alunos, de forma crítica, para suas realidades. Não deixa de ser omissão grave trabalharmos experiências passadas em detrimento de nossas histórias, uma vez que, dentre as missões da História, a mais importante, sem qualquer dúvida, é despertar nossa atenção para as transformações humanas e como foram trabalhadas pelos seus contemporâneos.

A História viva sempre será o mais rico laboratório das humanidades. Malbaratá-la leva a duas nefastas consequências: à alienação, grande parteira dos desastres civilizatórios, ou ao catastrofismo, porta de entrada da desesperança. Conscientizar nossos jovens é criar quadros de liderança, condição essencial da democracia e, portanto, do processo civilizatório.

Longe de nos debruçarmos de forma lamuriosa ou deletéria sobre nossas mazelas, cabe ao educador abrir as feridas do presente e trabalhar sua gênese e suas possibilidades de superação. E esta é a mais importante obra de cidadania que devemos fazer.

Não posso abrir mão do desabafo de um velho educador que se irrita com as cassandras e que, toda vez que as coisas entram num processo mais nebuloso, se dedicam a acentuar a crise no sentido de premiar ideologias ou grupos perdedores. No mesmo sentido, consideramos escapismo tendencioso privilegiar o noticiário internacional como se nossa realidade fosse periférica, secundária e, apenas, consequência colonial dos grandes centros da economia mundial.

Mais do que um desserviço, construir ou reforçar a desesperança é a mais antipedagógica das atitudes, uma vez que educar é, em sua essência, esperança!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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