Temos muito a aprender com as crianças

Colégio FAAP

01 Novembro 2018 | 14h45

Preocupado em ser observador atento da história presente e, tendo já percorrido um grande espaço de tempo na educação, permito-me algumas considerações que julgo pertinentes para que possamos continuar a educar em “tempos deseducadores”.

Nestes dies irae, onde assistimos a uma enxurrada de atitudes antissociais, no qual os mais velhos conseguem desconstruir princípios básicos de civilidade e o que buscamos consolidar em termos de cidadania e urbanidade é destruído por maus exemplos, encontrei alento entre as crianças que, apesar dos adultos, revelam comportamentos emuláveis.

Enquanto o mundo que se quer civilizado apregoa um fair play farisaico e é incapaz de suportar um fracasso, ou bem comemorar uma conquista, vejo os meus jovens lutarem por uma vitória e esquecerem, logo a seguir, a derrota e conviver com os vencedores sem mágoas.

Enquanto os adultos educados se encarniçam em discussões subjetivas, mal fundamentadas e, acima de tudo, toscas, vejo os meus meninos buscando opiniões, discordando com relativa polidez, até mesmo, quando mais exaltados. Alienação diriam meus detratores. Valorização do convívio cordial, da amizade mais do que “o ter razão”, afirmo com segurança!

Enquanto a maioria clama por democracia e direitos e apregoa a extinção dos opositores, percebo em nossos alunos motivos de esperança no convívio civilizado. Ingenuidade, dirão os experientes. Fé na humanidade, afirmo com convicção!

Por mais que nós adultos insistamos em “educar os jovens no nosso modo”, eles teimam nessas atitudes ingênuas de esquecerem mágoas alheias, de quererem ser aceitos pelos seus grupos, mesmo quando os mais velhos querem vingá-los na busca de uma justiça adulta e retardada.

Observemos como a maioria das crianças reatam amizades após desavenças e, quem sabe, possamos ter o resgate vital da cordialidade enquanto fundamento indispensável da sobrevivência da espécie. Não deixemos que a alienação e, muito mais, que a acidez emburrecedora do momento permeie nossas escolas.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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