Temas que a escola não encara como deveria

Colégio FAAP

11 de outubro de 2019 | 11h50

Décadas de vivência atenta na educação me levaram a “cultivar idiossincrasias benignas” que, enquanto educador, me obrigo a dividir, para confirmá-las, ou delas abrir mão. Entre elas está a questão que envolve os conteúdos ministrados. Por sua real importância, é uma das que mais me afligem.

Considerando que o foco da educação, nesta Era da Informação, é introduzir o educando na lógica das ciências enquanto sujeito da construção do conhecimento, sem preterir pré-requisitos e fundamentos, deparamos com conteúdos altamente discutíveis.

Furto-me de mencionar tais conhecimentos que, inúmeras vezes, pouco ou nenhuma conexão têm com a realidade do educando, análise que deixo aos especialistas, apesar dos preciosismos e pruridos que os mesmos têm em abrir mão da “preciosidade” de seus temas: não fosse pela ditadura dos grandes exames, teríamos uma pluridade de conteúdos  com muito pouco sentido de atualidade, interesse e, até mesmo, de utilidade pedagógica clara.

Mesmo que tenhamos justificação para os gigantescos volumes de informações que impomos aos nossos alunos, existem temas de crucial importância que, pouco ou nunca, são abordados com a devida atenção: refiro-me, especificamente, a temas de atualidade.

É bem possível que, nesse âmbito da análise da realidade, “limitações e cuidados” de ordem ideológica criem suscetibilidades nestes dias de polarização: o que é inaceitável quando se confere à análise da realidade um caráter metodológico que permite a discussão dos opostos.

Mas esse, ainda, não é o fulcro desta reflexão.

Existem discussões que, no grosso dos temas de atualidades, parecem passar ao largo da sensibilidade dos educadores e cuja relevância chega a ser definitiva. Exemplifico: num encontro pedagógico realizado no Comitê de Diretores e Coordenadores da FAAP, surgiu o tema do “Consentimento cego, o fio oculto da produção e do consumo”, ou seja, do sequestro das consciências que o imenso poder midiático exerce sobre a humanidade, ditando regras de consumo, padrões estéticos e, sobretudo, padrões morais.

Mesmo numa tranquila e epidérmica reflexão, assusta o alto nível de alienação de que a humanidade é vítima, cujos custos sociais são inestimáveis e que impõe aos educadores atitudes proativas e sistemáticas no combate dessa verdadeira pandemia.

Nossas abordagens sobre a realidade têm se restringido ao mundo das manchetes e evitado temas de maior profundidade e amplitude. Falamos em fake news, mas não encaramos, por exemplo, a reflexão sobre uma humanidade prisioneira nas cavernas digitais das redes informacionais.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

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