Sugestões práticas de como se preparar para os vestibulares

Sugestões práticas de como se preparar para os vestibulares

Colégio FAAP

10 Novembro 2016 | 15h16

Vestibular

Provas com os níveis elevados de dificuldades e com grande duração podem ser enquadradas na categoria de “esforços intelectuais olímpicos”, pois muito além de instrumentos de avaliação de aprendizado e de habilidades intelectuais são testes de resistência física e mental.

Assim, tudo o que se recomenda para um atleta antes de uma grande prova, vale aqui: ninguém treina na véspera, nem mesmo ir a uma balada e devorar uma feijoada. Da mesma forma, tentar recuperar, num fôlego, o que se negligenciou, só provocará cansaço sem recuperar nada. Descanso, cuidado com o sono e, no máximo, uma revisão dos grandes acontecimentos do ano.

Como o mais importante da preparação deve estar feito, seguem sugestões práticas aos estudantes que, nesta fase tão decisiva de suas vidas, o período do vestibular, enfrentarão tais desafios.

Considerando que, dificilmente, um jovem, em nossos dias, consegue se concentrar em uma atividade intelectual não lúdica mais do que uma hora, a simples permanência diante de um caderno de questões por, ao menos, três horas, representa um severo desafio: no limite da exaustão, qualquer competência intelectual fica comprometida ou anulada.

Assim, sugerimos a “estratégia de Cronos”, o deus grego do tempo.

Busque verificar o período médio em que, em sua casa, consegue ficar estudando e, na hora da prova, atingindo esse tempo, feche os olhos, alongue braços, pernas, mãos e pescoço; torne-se o deus de seu tempo usando todo o espaço reservado para a prova de forma inteligente. De nada vale sair alguns minutos antes para amargar muitos dias de fracasso. No mesmo sentido, a “compensação hidráulica/sanitário”, necessária ou não, é um recurso indispensável para aliviar a tensão no momento correto.

Como a tendência das grandes provas é a de questões com textos mais longos, quer nos enunciados, quer nas alternativas, leia tudo com muita atenção grifando o que  está sendo solicitado. Não se deixe levar pelo “ímpeto do conteúdo conhecido”, pois a perda de foco pode significar erro do alvo proposto. Uma razoável parte das questões depende de entendimento dos textos.

Uma maratona de questões deve ser administrada segundo um rigoroso planejamento para que se consiga um resultado proporcional ao esforço gasto: comece, sempre, pelos conteúdos e áreas do conhecimento que mais domina; há que se “garantir os pontos certos”. Deixe para o final suas incertezas e pense no que sugiro a seguir:

Chute com classe. Nas questões de múltipla escolha, jamais perca a dimensão de que, conseguindo descartar uma de cinco alternativas, se consegue aumentar em 20% a probabilidade de acerto e, assim, por diante.

Tenho lido uma discutível orientação no que se refere ao momento de se fazer a redação. Alguns sugerem deixá-la para o final da prova, medida que julgo equivocada pelo maior esforço em se localizar o tema, concatenar e produzir ideias num texto coerente. Creio que um cérebro descansado produz, sempre, um texto melhor, já que o pretendido “aquecimento” deve ser o próprio rascunho da redação.

Assim, pelo peso dado à redação nas grandes provas gostaria de trazer mais algumas sugestões.

Ter absoluta segurança do que está sendo proposto como tema. A perda de foco, por distração, ou se tentar aproveitar de uma ideia pronta (burramente esperta), fatalmente anulará sua redação ou, até mesmo, a prova.

Localizado o assunto central, faça um sucinto esquema dos argumentos que usará para defender sua “tese” e verifique se eles a justificam com clareza. Boas razões para causas trocadas são desastrosas. Qualquer texto deve ter coerência interna com proposta, desenvolvimento e conclusão.

Jamais deixe de respeitar o espaço determinado para a redação. Espichar ou encolher letra tem o limite do bom senso e, sobretudo, da qualidade do texto.

Lembre-se de que os corretores da redação não têm obrigação de decifrar textos. Caligrafias cuidadas induzem a uma boa vontade inicial do corretor que, seguramente, estará lendo outras milhares de redações.

Nunca se arrisque a “costurar textos” alheios e de estilos diferentes do seu. Monstrengos “copiados e colados” se autodestroem por não enganarem ninguém. Da mesma forma, termos sofisticados ou de grafia incerta para você podem ser elementos venenosos que contaminarão seu trabalho, ou por serem inadequados, ou por estarem com a grafia errada.

Por fim, ninguém melhor do que você sabe o que pode produzir assim, dentro dessa consciência, busque da forma mais racional possível, administrar suas limitações e amplificar suas fortalezas para que, no confronto final, chegue na frente dos incautos e, sobretudo, dos menos preparados.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br