Sem conhecer a comunidade não se constrói um currículo eficaz

Colégio FAAP

21 de fevereiro de 2020 | 14h50

No limiar da implantação de uma nova política curricular para o ensino brasileiro, na qual se postula a adequação de disciplinas e conteúdos às especificidades de cada comunidade, como fazê-lo sem que se tenha um quadro, o mais fidedigno possível, das peculiaridades de cada coletividade escolar?

Como muitas vezes já mencionamos neste espaço, o Colégio FAAP, sistematicamente, faz pesquisas de perfil de seus alunos sobre universo total. Conhecer nossos alunos, seus anseios, sua história pregressa e posterior são fatores essenciais para a construção de um projeto pedagógico eficaz voltado a devolver às famílias a confiança em nós depositada.

Com esse objetivo, temos resistido a modismos didáticos e, sobretudo, a genuínas aventuras pedagógicas que, divorciadas da realidade do educando, têm sido causadoras de “síndromes educacionais” que geram distorções de formação de difícil correção. Evito identificar tais “eventos comerciais pedagógicos” tanto por uma questão ética, quanto para afastar incriminações inadequadas pois, seguramente, em inúmeras situações, tais inovações foram acertadas, eficazes e revolucionárias sem intenções meramente mercadológicas.

Num exemplo, dentre muitos, com o cuidadoso levantamento do perfil médio de nossos alunos e sua trajetória posterior de vida, bem como o acompanhamento das macrotendências, constatamos um forte traço de espírito empreendedor. Assim, a disciplina de Empreendedorismo que já havia se consolidado como uma demanda genuína de nossos alunos, foi remodelada e reforçada pela contratação do Professor Milton Francisco Jr., professor da Faculdade FAAP, que trouxe o programa ainda mais perto da realidade de mercado e deu-lhe todo um mais renovado e dinâmico tratamento didático.

É muito difícil e delicado buscar desenvolver habilidades que permitam a estes novos nativos digitais do milênio a realização plena de seus ideais, num mundo instável e de horizontes nebulosamente opacos.

Projetos educacionais sem dimensão estratégica são, no mínimo, incompetências inaceitáveis e, no máximo, embustes criminosos por comprometerem vidas vendendo fantasias travestidas de modernidade.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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