Rousseau, um passarinho e a esperança

Colégio FAAP

26 de novembro de 2021 | 10h41

A vida com os jovens revela, todos os dias, agradáveis surpresas que confirmam, largamente, nossas crenças e esperanças nas novas gerações.

Desde sempre, nós educadores, que temos certeza de que (mais do que Rousseau) o homem nasce bom e, educado, supera as eventuais más influências sociais, enfrentamos um mantra pernicioso: “os jovens de hoje não são como os de antigamente”.

O primeiro passo para podermos analisar “nativos digitais” (jovens e crianças) é com eles conviver de forma intensa e isenta dos preconceitos muito comuns em relação às novas gerações. Fantasiar e engrandecer o passado sempre foi uma forma de escapismo conformista que, buscando afastar os desafios da educação, coloca os adultos numa “confortável omissão”.

E, nessa cuidadosa e constante coleta de atitudes reveladoras, presenciei um pequeno, mas muito eloquente, movimento entre nossos alunos. Estava em minha sala quando um aflito comitê me buscou para ajudar num “grave impasse”: um filhote de sabiá havia caído de seu ninho. Como fazer para resgatá-lo?

Antes que seja acusado de pieguice, lembro aos desavisados que, há muito pouco tempo, tal animalzinho estaria condenado, no mínimo, à própria sorte: essa aflitiva atitude revela um sensível e singelo apelo ao conservacionismo que, outrora, não seria encontrado, sobretudo quando o esforço, bem sucedido do grupo, foi de sincera alegria e de consciência ambiental.

Administrar pedagogicamente um colégio é “conhecer a realidade de uma escola, é fazer, sistematicamente, sua metaleitura”. O andar e o vozerio dos alunos, o estado e a disposição do mobiliário, até a “escrituração” das portas dos sanitários, tudo são eloquentes reveladores dos traços do universo cultural e do clima reinantes.

Dessa forma, fica evidente que cuidados com a reciclagem, com o acolhimento de novos colegas, com a preservação de áreas verdes, com o trato dos funcionários, enfim, por uma infinidade de pequenos gestos e atitudes, o homem continua a nascer bom e a sociedade tem dificuldade em “estragá-lo” e enaltecer as exceções é o mais anti-educativo dos atos.

De fato, nossos jovens não são iguais aos de antigamente, são muito melhores!!!

 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

FAAPEnsino Médioeducação

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.