Reprovações: fantasmas a serem exorcizados

Reprovações: fantasmas a serem exorcizados

Colégio FAAP

14 Dezembro 2016 | 09h46

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Apesar destes novos tempos, a reprovação ainda povoa pesadelos nos estudantes sérios: mesmo porque, os alunos que não são sérios estão em escolas que não reprovam.

Ainda que não se deva falar em corda na casa de enforcados, ou seja, falar de reprovações em final de ano letivo, educar no erro, no fracasso, é uma das mais eficazes maneiras de educar: o aprender com a dor é, lamentavelmente, uma das formas mais marcantes de aprendizagem.

De uma forma geral, as reprovações são o desfecho esperado de um processo de dificuldades, que um acompanhamento pedagógico criterioso deveria ter buscado superar. Assim, a repetência deve ser um evento trabalhado com extremo cuidado para ser etapa terminal e, jamais, fator desencadeador de uma série de traumas.

Aprender com uma reprovação é tarefa conjunta e sincronizada entre família e escola, é releitura de todo o processo escolar para a verificação das fragilidades e imediata organização de um projeto de estudos. O passo inicial será evitar a busca de um “culpado”, movimento negativo e desconstrutivo na medida em que eventos dessa natureza têm muitos e nenhum culpado, pois implicam numa injunção de fatores nos quais devem ser atribuídas responsabilidades e não impingir culpas. Se houve omissão do aluno, houve também, em alguma medida, da família; se a escola não era a mais adequada ao perfil do aluno, e, por sua vez, caberia ainda a  ela – escola —  prevenir à família desse descompasso.

Enfim, partindo-se do princípio indiscutível de que o educando é o sujeito focal e fim primordial da educação, há que se trabalhar a autoestima dele; há que se ampará-lo para dar sustentação para a reação necessária, mas, sempre, fazendo-o encarar suas responsabilidades sem facilitações paternalísticas. Tão perniciosa quanto à demonização do reprovado é a complacência infantilizante que, sempre justificando o fracasso, o perpetuará.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br