Quando família e escola produzem fracassados

Colégio FAAP

24 Agosto 2018 | 15h38

Um título forte para fatos contundentes. Em mais de meio século de vivência no espaço escolar e acadêmico fui infeliz testemunha de verdadeiras atrocidades educacionais cometidas na plenitude de boas intenções.

Tudo começa (e quase sempre termina) pelo malfadado conceito do sucesso escolar, que, muitas vezes, é uma medida artificial e aleatória colocada apesar do educando; um símbolo aritmético que, por séculos, foi a fronteira entre a glória e o fracasso. A maldita média resultante de fatores que, na grande maioria, pouco e mal avaliam o desempenho escolar efetivo e, sobretudo, o esforço despendido.

Não posso omitir os grandes avanços no que se refere a critérios de avaliação que tentam corrigir o caráter absolutista desse aspecto nevrálgico da educação e as muitas escolas que superaram esse horizonte de mediocridade. No entanto, é aterrador como permanências antigas ainda geram, em milhões de estudantes, danos irreversíveis e que marcam vidas.

A justa preocupação das famílias em bem preparar os seus filhos para um mercado cada vez mais competitivo acaba por submetê-los, inúmeras vezes, a condições de aprendizagem desumanas nas quais o verdadeiro crescimento intelectual é sacrificado pelo atendimento a padrões fixados que não consideram as individualidades e seus ritmos pessoais.

Quando o estudante não consegue, seguidamente, atingir o patamar estabelecido, buscam-se alguns caminhos equivocados antes que um diagnóstico cuidadoso seja efetuado e que medidas adequadas de recuperação sejam implementadas. Mais uma vez a voracidade dos tempos modernos induz ao erro.

Há que se pesquisar, sempre e com muito cuidado, todas as variáveis dos fracassos escolares: a adaptação do aluno ao modelo pedagógico do colégio, a mudança de estilos de novos professores e a lógica de novas disciplinas. Há que se mapear o momento do aluno e todo o imenso e intrincado leque de variáveis externas às quais os jovens são muito suscetíveis.

Assim, para evitar a perda de um ano (concepção perigosa), transfere-se o aluno para uma escola mais fraca (outro conceito perigoso). Neste caso, assume-se que o aluno é, ao menos, fraco, numa lista que passeia pelo incompetente, menos dotado ou, no limite da complacência, preguiçoso.

Por sua vez, algumas escolas, preocupadas em manter índices elevados de sucesso nos vestibulares e em outros “marcadores mercadológicos”, colocam os alunos com dificuldades na lista dos “perdíveis”, olvidando aquele que é um dos princípios mais sagrados da educação:  jamais desistir de um educando!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

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