Quando diferenças não são anomalias

Colégio FAAP

31 Agosto 2018 | 11h05

No último post, me detive nos casos em que educadores, equivocadamente, perpetram desastres na busca da excelência educacional. Agora, quero falar de outros erros frequentes que provocam dramas onde o fulcro da questão é um padrão equivocado de diagnósticos.

Quando a medicalização das diferenças começou a criar doenças em comportamentos que fugiam, mesmo discretamente, da normalidade, começamos a receber alunos tangidos de inúmeras outras instituições como “problemas”; com diagnósticos complexos ou, outras vezes, sem diagnóstico. Tanto uns quanto os outros estavam enquadrados na categoria “inclusão”, ou seja, especiais.

Grande parte desses “incluídos” apresentavam problemas de integração social ou dificuldades de aprendizagem que, em escolas não massificadas, seriam superados, desde que acudidas em seu nascedouro e atendidos, adequadamente, pelo todo da comunidade escolar, em estreita sintonia com a família. Um serviço de Orientação Educacional competente, que norteie professores e prepare o ambiente escolar pode gerar as condições necessárias de reinclusão sem maiores traumas.

Há tempos venho observando os casos efetivos de inclusão que temos recebido e pude constatar, com algumas exceções, que tais alunos foram tratados como “casos perdidos”. Transitaram por escolas dispostas e sensíveis aos problemas dos alunos, mas sem a devida capacitação, sem que houvesse o necessário cuidado com suas singularidades e, na maioria das vezes, suportando as diferenças até o estreito limite da complacência da comunidade. Havendo a necessidade de sair, um pouco mais, do padrão de conduta da instituição, as famílias eram convidadas a procurar “instituições especializadas”.

Evidente que existem casos para os quais as escolas regulares não têm condições de acolhimento adequado. Mas são casos extremos e que não se enquadram na maioria gritante de alunos que recebemos como “especiais”. Assim, o que fica evidente é que, além do exagero ou da imprecisão de diagnósticos que caracterizariam necessidades especiais, temos a falta e preparo das instituições e, sobretudo, uma verdadeira epidemia alarmista que atinge famílias, quando estas se dão conta de que seus filhos fogem a um padrão sócio-intelectual estabelecido. Isso, efetivamente, não caracteriza anormalidade e não se define como morbidez.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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