Quando a família e a escola fazem da limitação uma vitória

Colégio FAAP

21 Setembro 2018 | 14h41

Se, há alguns posts atrás, falamos de casos nos quais a omissão dos educadores produzem fracassos, aqui, enfocaremos um de tantos casos onde família e escola promoveram vitórias quando, quase tudo, apontava para o fracasso.

Quando nossa Orientadora Educacional, a Professora Marinez Brochi Felix Rafaldini (a quem cabe grande parte dos méritos deste caso e de muitos outros) recebeu G, um aluno que, desde o seu ingresso, teve os mais variados e pessimistas diagnósticos – que iam do autismo, passando pela Síndrome de Asperge até, posição final dos especialistas, “não sabemos o que ele tem”… – nossas expectativas de poder ajudá-lo eram muito tênues.

Prof. Henrique Vailati Neto: “Trazer ‘G’ para a vida escolar, dentro de suas limitações, mais do que um desafio, foi um aprendizado”

 

G apresentava um quadro de sociopatia, inquietude constante, com limitações intelectuais pontuais e, sobretudo, um extenso histórico de escolas que não haviam conseguido integrá-lo. Mas tinha uma família devotada integralmente a ele, o que nos motivou a encarar o desafio.

Com o total apoio do corpo docente e funcional abraçamos “o bom combate”.

Começando pela ação inteligente e delicada da Orientadora Educacional de preparação da turma para o acolhimento de G e de suas idiossincrasias, para gerar condições pedagógicas mínimas. Permanecer andando num dos lados da sala durante as aulas, falar repentinamente sem controle do volume de voz, ficar absolutamente calado por longas horas, evitar qualquer contato físico eram algumas das muitas atitudes  de G que, fisicamente, era um rapaz absolutamente normal, mas que, para a maioria dos colegas, era uma grande incógnita e, em alguns momentos, uma sensação de ameaça.

Trazer G para a vida escolar, dentro de suas limitações, mais do que um desafio, foi um aprendizado. Trabalhar nos estreitos espaços entre a piedade e a constatação dos limites pressupõe um observar constante e a necessidade de altas doses de sensibilidade e de bom senso. Impedir que a compaixão tomasse lugar da firmeza educadora era um jogo de contrapesos onde, pequenos erros, significavam retrocessos enormes.

Já enfrentamos casos de necessidades especiais que sempre superamos com excelente margem de êxito, mas G foi uma experiência extrema de três anos em período integral, que ia de suas atitudes estranhas, até sua insistência em se alimentar, tão somente, de arroz e pão, e de não ir ao refeitório senão após meu convite pessoal. Oferecer o suporte para que ele pudesse acompanhar as atividades escolares era um desafio. Com incondicional apoio dos colegas, fomos superando com êxito e muito trabalho.

Houve um momento de êxtase coletivo quando, num dos eventos da Semana do Colégio, G, transpondo uma esquina de sua vida, subiu ao palco e cantou para uma plateia que se emocionou e foi às lágrimas porque, de fato, era partícipe daquela vitória, ou seja, coadjuvante de uma linda história de superação.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br