Provas e o terror na educação: reminiscências medievais

Provas e o terror na educação: reminiscências medievais

Colégio FAAP

07 Abril 2017 | 15h23

Nada me incomoda mais, ou melhor, me deprime mais, do que constatar o que ainda se faz com as avaliações escolares. São exceções, dirão muitos, mas o que conta é que não deveria haver resquícios inadequados naquilo que se considera, equivocadamente, o ponto nevrálgico do processo pedagógico, o símbolo do sucesso ou do fracasso da vida escolar, a nota!

provas

Partindo-se do princípio indiscutível de que a avaliação deve ser o resultado de um processo contínuo e criterioso, a sacralização de um desses momentos é absurda e antipedagógica: falamos das provas.

O argumento mais usado para defender esse baluarte da má educação é o de que, na vida futura, o aluno será submetido a grandes provas e, portanto, deve ser treinado para tanto. O que questiono, veementemente, é a precocidade em que as famigeradas “provas sérias” começam a ocorrer na vida estudantil e, sobretudo, na ausência de nexo pedagógico na forma de ministrá-las.

Não discuto a validade das avaliações individuais, o que não podemos aceitar é o fato de que, já no ensino fundamental, apareçam provas travestidas de pequenos vestibulares a aterrorizarem as crianças. É nesse clima de tensão que são gerados os mais antigos e nefastos traumas educacionais, pesadelos criados por momentos de pânico planejados.

Em sua essência pedagógica, uma prova deve ser mais um elemento de avaliação, uma revisão do que foi aprendido e, acima de tudo, mais um momento de aprendizagem onde cabe ao professor o mais nobre de seu ofício: amparar, encorajar, encaminhar e corrigir equívocos. Jamais uma afirmação de sua superioridade ou, o que muitas vezes acontece, um referendo autoritário do “poder da caneta vermelha”.

Fazer das provas individuais momentos de estudo e revisão permite que, no futuro da selvageria de vestibulares e quejandos, o examinado tenha a calma para demonstrar o que sabe sem cicatrizes de um passado castrador.

Treinar para a vida, sobretudo na escola, não é tentar simular o que ela trará de pior, é preparar, com otimismo e autoconfiança, o educando para modificar os reveses.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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