Para educar nativos digitais – parte 2

Colégio FAAP

16 Fevereiro 2018 | 19h08

Assumidamente pretensioso, quer pelas limitações do autor, quer pela vocação do espaço, o tema proposto tem, essencialmente, a intenção de sensibilizar as pessoas para o quão diferentes são esses filhos do milênio: diferentes, nem piores, nem melhores.

E, sempre no intuito de nos agregarmos no esforço de entender as novas gerações, voltamos com alguns subsídios que, colhidos na cuidadosa observação diária, podem contribuir para essa tão delicada e indispensável tarefa.

Dentre as “qualidades discutíveis” dos nativos digitais, o “multitarefismo” tem sido, a nosso ver, inadvertidamente incensado. Essa capacidade de se dedicar, simultaneamente, a muitos afazeres, tem se revelado uma fonte de incapacidade de concentração num objetivo que demande algum nível de abstração e sacrifício. Tal característica, observada na maioria dessa geração, é causa das dificuldades de estudo daquelas ciências chamadas de “duras” e que demandam uma cota de sacrifícios maiores, sobretudo, em sua iniciação.

Tais dificuldades têm forçado os pedagogos a verdadeiros malabarismos didáticos que, se sempre bem vindos, não são o único caminho para se obter os resultados de aprendizagem desejados. Nesse sentido, cabe a todos os educadores se debruçarem, com determinação e cuidado, sobre tarefa de apoiar e incentivar o educando a obter a disciplina necessária aos inevitáveis sacrifícios intelectuais que o estudo obriga.

Tem sido corriqueiro atribuir à incapacidade didática das escolas a causa do mau desempenho escolar. Por mais lúdicas e interativas que possam ser as didáticas empregadas, elas sempre pressuporão abstrações e responsabilidades que não poderão competir com o universo fantástico das redes e jogos virtuais.

As consequências dessa incapacidade crescente de concentração em certas tarefas (pesquisas mostram que os jovens mudam de tela, em média, a cada 19 segundos) conduzem alguns, erroneamente, a acreditarem que a conquista dessa tão deseja atenção pode ser obtida pelo uso massivo da tecnologia. Considerar a tecnologia como a única solução para os atuais desafios pedagógicos é tão equivocado quanto a resistência em usá-la.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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