Para educar cidadãos de seu tempo

Colégio FAAP

13 de agosto de 2021 | 14h52

Historiador de formação, tive minha vida focada no tempo da humanidade e, durante esse período, um fato sempre me chamou a atenção: a parte significativa dos seres humanos que viveu momentos marcantes que ocupariam capítulos dos manuais de história sem ter se dado conta disso, passando pela sua própria história como estranhos.

Por causa dessa melancólica constatação dediquei meu caminho na educação (em todas as disciplinas das humanidades) insistindo nas abordagens de temas atuais sempre que a ocasião exigisse. Nenhum assunto, de nenhuma disciplina, pode superar a importância da consciência da história do próprio indivíduo.

Tal objetivo tem conduzido o Colégio FAAP, não apenas a colocar tal postura como norma de todas as disciplinas, mas de haver criado uma nova: Painéis de Realidade, cuja função precípua é uma análise crítica de tudo o que acontece de mais importante.

Assim, chegamos a uma das mais cruciais preocupações pedagógicas de nossos dias e temos observado uma “certa prudência” na abordagem educativa da pandemia. Mesmo cuidando dos aspectos sanitários, a pandemia não tem recebido uma abordagem socioeducativa. Há que se contextualizar este momento em sua maior extensão, fazer o aluno refletir sobre a vida antes e após esse terrível evento que, seguramente, mudou para sempre nossas vidas.

Outro aspecto desse irrecusável pensar nossa atualidade é o da ausência de uma pedagogia do luto coletivo. Passamos pela morte de centenas de milhares de vidas que, por força mesmo desse absurdo numérico, nos mergulhou numa dormência que banalizou a dor. Desde que não façamos parte desse macabro contingente, parece que o espectro da morte é uma fantasia.

Mais do que uma questão de respeito ou pudor (aqui descabidas), a reverência à morte que não apresenta nada de heroico, é a constatação de nossa finitude, é o refletir sobre a consideração à dor alheia, é, de fato, viver a dura realidade destes tempos impiedosos em que interesses espúrios tentam camuflar a inépcia e a ignorância e, assim, olvidar a dor alheia.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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