Os conselhos de classe: indicadores e termômetros dos princípios pedagógicos

Colégio FAAP

11 de dezembro de 2020 | 15h42

A coerência entre princípios formalmente declarados e as práticas, em todas as organizações, é um dos mais fidedignos indicadores de sua confiabilidade. Todos os dias, constatamos fatos que demonstram, desabridamente, essas contradições, a ponto de ser a última moda administrativa o setor de compliance. Ou seja, uma fiscalização de princípios que deveriam ordenar a cultura da organização serem a norma e, assim, anularem desvios.

Nas instituições de ensino, onde a coerência é fator vital da educação, a sintonia entre o que é declarado nos princípios contidos no planejamento pedagógico e, sobretudo, divulgados, determina a seriedade do projeto de modo mais contundente.

Nunca é demais repetir que a cultura real de uma escola começa a se revelar na portaria, perpassando cada segmento, cada indivíduo e todas as atitudes cotidianas. Enquanto pai, avô e, inúmeras vezes, conselheiro, visitei escolas e fiquei chocado pelas contradições entre as imagens veiculadas e a realidade encontrada. Escolas ditas democráticas e criativas com disciplina autoritária e castradora, instituições “preparatórias para o futuro” engessadas por apostilas anacrônicas.

Em tempos de avaliação das escolas de nossos filhos ou de escolha de novas, estas reflexões podem ser de alguma valia.

Fico sempre mais orgulhoso de nosso Colégio quando participo dos nossos Conselhos de Classe. Constato a coerência de um projeto pedagógico ancorado no conhecimento individualizado do aluno, no acompanhamento de seu crescimento, na justeza dos critérios de avaliação e, sobretudo, na real, constante e verdadeira preocupação com o crescimento do educando.

Se, por razões obvias, as famílias não têm acesso a essas reuniões, os resultados delas demonstram a natureza das mesmas, onde a aprovação não é mero resultado frio de elucubrações aritméticas anônimas, onde cada indivíduo é único e onde um aluno que se recuperou e cresceu emociona os professores.

Tais resultados só se consegue com uma equipe afinada, unida e consciente dos objetivos da escola: dissonâncias, desencontros e contradições são amplificados nos alunos e geram severos comprometimentos no processo educacional.

Avaliar uma instituição educacional é tão vital quanto escolher o médico de família, sendo que a primeira escolha, se equivocada, não apresentará efeitos imediatos que possam ser minimizados, mas que comprometerão vidas da mesma forma.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

Colégio FAAPFAAPEnsino Médio

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.