Orfandade com pais vivos: um drama na adolescência

Colégio FAAP

16 Janeiro 2017 | 17h38

Após uma vida longa dentro do ensino, em quase todos os seus níveis, uma questão se coloca como constante: a da distância adequada entre pais e filhos. Se uma proximidade sufocante pode inibir, castrar, fragilizar e anular a individualidade, uma distância maior pode gerar carências, falsear limites, criar vazios.

Se tais limites são causas de grandes incertezas para os pais na infância, na adolescência, essas dúvidas se agigantam na mesma proporção da gravidade de suas consequências. Nessa fase de profundas mudanças que, em nossos dias, se aceleraram e agudizaram, a presença da família na medida correta é, absolutamente, vital. É o verdadeiro caminhar sobre o fio da navalha onde, indecisões e desvios, podem significar  o descolamento entre família e jovem.

A crescente ausência dos pais na educação, a maior liberdade que os jovens adquiriram e a dissolução de certos valores, tudo isso acabou por criar um clima de insegurança do como comandar a efetiva educação dos filhos. Para não serem anacrônicos, ou para não serem irresponsáveis, os pais ficam num muito perigoso espaço de dúvidas que, na maioria dos casos, implica em ações e recuos perniciosos para a formação dos caracteres.

É muito comum encontrarmos atitudes de protecionismo exagerado, infantilizador e anulador de responsabilidades, em confronto com concessões irresponsáveis de liberdade. Tratar um adolescente como criança é ignorar, ou embotar sua capacidade crítica da mesma forma que, tratá-lo como um adulto, é queimar etapas de crescimento para as quais, não estando ele preparado, será exposto a frustrações ou riscos.

Sendo seres em formação, os adolescentes necessitam, mais do que tudo, da segurança dos pais que deve se fundamentar na solidez de princípios e, jamais, em circunstâncias mutáveis. Festas, estudos, comportamentos, roupas e todo um universo de possíveis atritos devem estar explicitados e justificados na conduta dos pais e educadores. Flexibilizar possibilidades não é abrir mão de princípios, é adequá-los, eventualmente, a circunstâncias especiais. Se conceder sempre, possa ser tido como moderno e, certamente, mais fácil, limitar, chamar à responsabilidade e compartilhar serão desgastes produtivos e valorizados pelo jovem pelo companheirismo dos pais.

Encontrar o ponto de equilíbrio no estabelecimento dos limites é a tarefa maior da família e do educador, é o divisor de águas na formação do ser humano. Todo o resto são desvios, terapias, medicamentos e indivíduos mutilados para a vida.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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