Oásis pedagógicos: como desmitificar disciplinas áridas

Colégio FAAP

19 de novembro de 2021 | 11h15

Nada mais antigo (e anacrônico), quando se fala em escola, do que a menção às disciplinas difíceis, matérias áridas nas quais a reprovação não seria um acidente. Da mesma forma que muito foi mudado nas instituições atentas aos “vícios” do passado, corrigidos, ainda flagramos no universo educacional excrecências historicamente mantidas como indicadores de seriedade.

Uma constante era enquadrar as chamadas ciências exatas nessa categoria (o uso do pretérito é intencional, mas a realidade ainda é outra), em que pese o fato de que professores de disciplinas de outras áreas busquem esse caminho para dar “seriedade” ao seu magistério. Tornar aulas inalcançáveis e, por consequência, conteúdos impenetráveis e avaliações devastadoras, seria fórmula de conseguir “respeito e autoridade” pela via de médias impossíveis de serem atingidas e do terror.

Desde sempre, as exceções pedagógicas consagram luminares didáticos que se destacam nesse “mar tenebroso”. Aves raras nesse ecossistema, alguns professores fazem fáceis e agradáveis conteúdos secularmente construídos para serem barreiras para os “gênios” superarem, separando-os dos simples mortais que pagam por suas “limitações”.

Ao retornar como diretor para o Colégio da FAAP e retomando as pesquisas sistemáticas de análise do perfil de nossos alunos, constatamos, com muita alegria, a homogeneidade das disciplinas num mesmo ótimo pedagógico. Detectar os níveis de satisfação/interesse do alunado por esta ou aquela disciplina implica em evitar a delicada e prejudicial avaliação de professores. Mas o resultado dessas pesquisas revelou as acima apontadas exceções como regras em nosso corpo docente.

Nada mais gratificante do que um professor de Química, de Biologia ou de Matemática sistematicamente homenageados.

Nesta última edição da nossa Olimpíada de Matemática, o Colégio se concentrou, por horas e com deleite, nos desafios lógicos, como um dos incontestáveis indicadores do nosso sucesso em transformar aridez didática em oásis.

Exorcizar velhos fantasmas pedagógicos herdados, tornando-os interessantes, não é, jamais, fruto de leniência, descuido científico ou disciplina afrouxada. É ter a certeza de que a educação é, essencialmente, esforço de encantamento, incentivo e valorização do crescimento do educando!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

 

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