O tempo pedagógico

Colégio FAAP

08 de julho de 2021 | 17h43

Uma pausa para a reflexão é tão importante como o próprio descanso das férias. Quando atravessamos as turbulências deste momento imprevisível e aterrador, me atrevo trazer algumas sugestões para que possamos, quiçá, amenizar arestas deste novo universo pedagógico que vivemos.

Fato indiscutível (por inúmeros fatores) é o cansaço dispersivo das aulas on line e, até mesmo, das modalidades híbridas. Se a perda de atenção e a consequente queda no aprendizado já eram desafio no ensino pré-pandemia, tudo se agudizou em condições de absoluta anomalia, nos fazendo buscar caminhos inusitados e, dessa forma, ainda pouco reavaliados. 

Nessa busca, a Equipe do Colégio FAAP logrou alcançar alguns êxitos que gostaríamos de compartilhar e, da mesma forma, receber contribuições.

Dentre o leque de tentativas e erros, enfrentamos uma grave e nociva derivação da excepcionalidade: o desgaste dos alunos submetidos aos horários tradicionais das aulas. Não cabe a discussão de todas as amarras que nos obrigam às divisões em horários, mas fica a certeza de que os “tempos tradicionais”, ora inadequados, impõem novas abordagens didáticas que exigem romper, ainda mais, padrões superados.

Rever os momentos didáticos de cada aula, considerando as necessidades específicas dos diversos conteúdos, reavaliar o segmento de inserção da aula no horário do dia (aulas subsequentes a disciplinas desgastantes, ou de abordagens muito diversas), exigem mudanças específicas e, acima de tudo, superar a confusão entre o espaço domésticos e escolar e o distanciamento social.

Seccionar a aula em vários e diferentes momentos, interpondo espaços lúdicos à exposição (reduzida e concentrada à sua menor dimensão possível), buscando, sempre, a interatividade individual, agregadora do grupo e com o grupo no sentido de aquecer e reagrupar a classe sem a perda da dimensão individual.

Lembrar que, nesta fase de aguda imersão no mundo digital, vídeos e demais recursos audiovisuais estão exauridos de suas qualidades precedentes, devendo ser utilizados com muito cuidadosa parcimônia sob pena de desgastar, ainda mais, os instrumentos a distância.

Ainda, como um lembrete (quase que ofensivo aos colegas pelo óbvio), mas que não custa mencionar: redobrar a atenção quanto ao desgaste no decorrer da aula, o que fica muito prejudicado pela dispersão visual dos alunos e pela impossibilidade de leituras corporais sempre eloquentes.

Como quase tudo que implica as relações sociais, a gestão do tempo pode ser fator decisivo de êxito ou fracasso das mesmas.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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