O silêncio dos inocentes e os culpados disso…

Colégio FAAP

14 de janeiro de 2019 | 12h55

Conversando com uma jovem mãe, veio à tona um dos mais candentes e recorrentes dramas familiares: a necessidade do trabalho materno e o absenteísmo na educação dos filhos.

Não nos cabe, aqui, analisar as variáveis que, praticamente, levaram todas as mulheres a uma absorvente vida profissional. O que pretendemos é, considerando o inevitável, demonstrar que o problema não está na ausência, mas na qualidade da presença.

Lugar comum nas relações humanas é a experiência gratificante de encontrar um grande amigo em situação de passagem e constatar a qualidade e a intensidade da conversa quando o tempo é escasso.

Da mesma forma, devemos sacralizar o tempo disponível para os nossos filhos. Para tanto, devemos começar por banir desse tempo comum empecilhos tecnológicos como games, computadores e outras traquitanas muito usadas para “neutralizar” os incômodos da proximidade dos filhos.

A questão mais aguda das relações familiares, hoje, é uma agudização do círculo vicioso do convívio: quanto menos converso, menos tenho o que conversar

Com esse duplo afastamento familiar, os choques de gerações se aprofundam e são amplificados pelas incríveis peculiaridades das novas gerações de nativos digitais. Neste ponto, nós que vivemos todas as nossa vidas em contato com jovens, constatamos uma quase mutação cultural nas últimas gerações, o que nos obriga a uma muito cuidadosa análise destes novos perfis humanos.

Por fim, aquele que parece ser um perigoso sucedâneo, a comunicação digital: como se não bastasse assistirmos “almoços insulados” nos quais famílias se alimentam fechadas em “cavernas informacionais”, dando a nítida impressão de que a comunicação humana é contagiosa, a substituição do contato direto pelas vias tecnológicas parece haver resolvido a questão do distanciamento.

Terrível engano!

As relações tecnologicamente intermediadas são, indiscutivelmente, mais frias, pois subentendem um grau menor de envolvimento e maior de distanciamento.

Enfim e insistindo, a questão da ausência presencial dos pais não se limita a uma medida de tempo, mas da qualidade do tempo usado.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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