O mestre coronavírus

Colégio FAAP

13 de março de 2020 | 12h08

Como diziam os “antigos”, educar é, também, tarefa de repetição. Mas parece que a humanidade vem aumentando sua resistência a aprender com a experiência. E o “mestre corona” veio para comprovar isso: assim como a fome é exímia cozinheira, o medo é mestre de lições inequívocas, mesmo que a repetição do óbvio seja um dos mais irritantes exercícios.

Tudo o que sempre se disse em matéria de higiene, de boas condutas sociais e de alimentação, estamos ouvindo à exaustão como se fossem incríveis novidades salvadoras e produtos de alta tecnologia e pesquisas avançadas.

A grande e verdadeira lição que o “mestre corona” nos traz, apesar de óbvia (mas que parece despercebida pelo grande público e, sobretudo, omitida pelos governos), é que tudo começa e termina pela educação, que poderia prevenir e solucionar crises como a que ora estamos vivemos.

É de uma incoerência inaceitável enaltecer nossos pesquisadores que, desafiando prazos e condições, lutam contra a epidemia e, em paralelo, cortar verbas e incentivos à pesquisa. Além de, como correlato, desmotivar a formação de novos pesquisadores e expatriar os poucos que temos. Antes e após as crises, esses cientistas serão esquecidos em seus laboratórios sucateados, até que alguma universidade estrangeira os leve e apareçam laureados no Fantástico.

Se comportamentos cidadãos prosperam numa cultura democrática, censura e repressão ao livre diálogo são fatores de propagação do vírus.

Historicamente, as grandes crises têm o condão de desnudar fraquezas institucionais. Só resta saber quando deixaremos de buscar culpados e aprenderemos com a história!


Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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