O maior desafio do educador: conhecer o sujeito da educação

Colégio FAAP

06 de setembro de 2019 | 14h46

Motivo de estranheza e, no limite, de indignação, é perceber que muitos projetos pedagógicos que afirmam ser o aluno o sujeito da educação pouco conhecem esse ser mutante que são nossos jovens.

Partindo desse princípio medular de conhecer nosso aluno, o Colégio FAAP promove, sistematicamente, uma pesquisa do seu perfil: não nos basta acompanhar a multiplicidade de estudos que buscam identificar as mutações a que estão sujeitos os “nativos digitais”, para um projeto pedagógico eficaz. É indispensável conhecermos as especificidades do nosso educando.

Focados nesse mesmo objetivo, o Núcleo de Inovação em Mídia Digital (NiMD) da Faculdade Armando Alvares Penteado, em parceria com a empresa MindMiners, fez um levantamento, cujo autor foi o professor da FAAP, Diogo Andrade Bornhausen, com 300 jovens de 18 a 24 anos. O objetivo foi entender quais os principais meios de acesso à informação utilizados, para qual finalidade, de que maneiras lidam com esses conteúdos e o que sentem em relação ao que consomem.

Das conclusões desse levantamento, pinçamos alguns pontos que confirmaram nossas pesquisas e que traremos como singela contribuição à titânica tarefa de educar em tempos de mutações.

Surpreendeu constatar que 58% dos entrevistados ainda buscam informações na televisão, veículo suplantado pelo Facebook e pelo Whatsapp: quando trabalhamos na orientação de nossos alunos para a busca seletiva de fontes mais seguras de informação, esse dado deve ser ponderado.

Confirmando e ressaltando um dos mais desafiadores obstáculos da educação contemporânea, aparece o desequilíbrio provocado pela incapacidade de administrar a rapidez e o volume das informações: a incapacidade de hierarquizar a informação pertinente e que é o cerne destes tempos de ignorância pelo excesso de informações.

A enxurrada de informações também é causadora, em níveis alarmantes, da ansiedade de se estar constantemente conectado, responsável pela procrastinação de tarefas essenciais, em 77% dos pesquisados. A dependência dessa conexão aparece, nessa faixa etária, em níveis quase patológicos, o que faz do celular um dos mais nocivos instrumentos antipedagógicos.

Finalizando, 77% do público crê ser capaz de efetuar várias tarefas simultaneamente: a experiência diuturna na educação demonstra, fartamente, que essa “atenção epidérmica” derivada desse fictício “multitarefismo” é responsável pelas enormes dificuldades de compreensão do texto científico de nossos educandos.

Para quem tiver interesse, o estudo completo está disponível na área de Artigos e Insights do link http://www.faap.br/nimd/. 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

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