O maior desafio de todos os tempos para a educação

Colégio FAAP

01 de novembro de 2019 | 10h00

Uma pesquisa publicada nesta semana mostrou que houve um crescimento de 36% nos distúrbios mentais entre a população de 13 a 19 anos no Brasil. Nesse espectro devastador, estão enquadrados sintomas que variam das síndromes de pânico, passando pela automutilação e chegando ao suicídio.

Nós que trabalhamos em um Colégio de nicho, com um reduzido número de alunos e, por isso mesmo, com uma abordagem extremamente individualizada e cuidadosa, temos sido procurados por famílias de jovens com “problemas de adaptação”. Até que nos déssemos conta dessa verdadeira epidemia, acreditávamos que o número crescente de alunos com distúrbios emocionais fosse uma demanda específica por um colégio que pode dar suporte a esses jovens.

Há alguns anos a FAAP tem mantido encontros com especialistas no sentido de preparar seus professores para identificar e orientar eventuais distúrbios em seus alunos o que, hoje, se mostra como uma iniciativa obrigatória a todas as instituições educacionais.

Recentemente, a mídia responsável tem abordado o assunto com a cautela que ele exige. Antes, só casos de suicídio tinham o inevitável e inadequado espaço noticioso. Omissão e sensacionalismo na informação são posturas que, neste campo, caminham em um verdadeiro fio de navalha podendo gerar consequências imprevisíveis, sobretudo, no espaço das redes sociais.

De fato, há que se tratar do assunto, reunir todos os setores vitais da sociedade para enfrentar essa epidemia sem precedentes, que atinge o cerne da nossa sociedade, e que não se confina a um único segmento, mas se dissemina entre todos. Vai longe o tempo em que os distúrbios mentais eram encarados como chiliques de crianças mimadas ou matéria-prima de sanatório.

Neste exíguo espaço e nas minhas enormes limitações não cabe uma análise mais responsável da complexa rede de causas que gera tais desvios entre nossas crianças e jovens. Mas nos obrigamos, em todas as circunstâncias possíveis, a alertar os educadores a, tão logo observem atitudes discrepantes da normalidade, reunir todos os responsáveis para ações conjuntas e refletidas.

Não é incomum pais omitirem informações sobre os filhos que julgam “comprometedoras”. São atitudes que anulam abordagens mais efetivas da escola. No mesmo sentido, quando detectamos indícios de algum desvio de conduta, é comum encontrarmos resistência para que a família aceite que não é “coisa da idade”, implicância da escola e perceba a necessidade de acompanhamento especializado.

Ainda persiste uma bipolarização em face aos distúrbios mentais: ora se busca diagnosticar qualquer estranheza como indício patológico, ora se tenta camuflar comportamentos tipicamente doentios como, tão somente, idiossincrasias passageiras.

 

 Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

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