O enorme risco das fachadas atraentes: a escolha da faculdade

Colégio FAAP

06 de dezembro de 2019 | 14h31

Militando no ensino médio e superior por mais de meio século, tenho vivido uma verdadeira cruzada toda a vez que os grandes vestibulares se aproximam e, com eles, mais do que o desafio das barreiras da aprovação, a escolha da faculdade adequada.

Se a propaganda permeia e compromete quase todas as nossas decisões, existem algumas nas quais o grau máximo de senso crítico é indispensável para que escolhas equivocadas não tragam sérios comprometimentos futuros.

Da mesma forma como, quando faço palestras de orientação vocacional, digo que a escolha da profissão tem semelhanças com a decisão de se casar. Lembro que a escolha de uma faculdade, primeiro passo no caminho da profissão, é quase tão importante quanto a escolha da profissão.

Quando a oferta é farta e variada, mesmo se falando dos cursos públicos, mais do que o risco de não ser aprovado na instituição pretendida, existe o perigo de se fazer um curso sem conhecer a essência de seu projeto pedagógico. Aqui incluo tanto os vendilhões da educação (aquelas faculdades que se tornaram, apenas, fontes de lucro para investidores) como, também, instituições sérias que divulgam seus produtos, mas cujos “consumidores” não leem com atenção “o manual do produto”, ou seja, não se preocuparam em conhecer seus objetivos pedagógicos.

Por mais que amigos recomendem, por mais que a divulgação possa encantar, conhecer e comparar projetos pedagógicos diferentes, alinhar tais propostas ao próprio projeto pessoal de vida é garantir que as dificuldades inerentes à transição para o ensino superior sejam didáticas e não essenciais.  É razoavelmente comum que bons alunos, em boas faculdades, sintam o impacto das escolhas desavisadas em uma cultura acadêmica não adequada às expectativas pessoais.

Ser aprovado em um vestibular, evento auspicioso e digno de comemoração, pode ser uma falácia a mais a anular escolhas mais refletidas. Levar os jovens, nessa fase tão sofrida de suas vidas a ponderar com cautela e isenção a escolha, tanto do curso quanto da instituição que os levará ao mercado de trabalho, é obrigação que devemos considerar com muita cautela, tentando filtrar e ponderar as influências externas, para não sermos apoiadores de decisões apressadas e comprometedoras.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: