O bom senso: a essência da educação

O bom senso: a essência da educação

Colégio FAAP

22 Julho 2016 | 16h21

Prof_Vailati Tive o prazer de assistir a uma palestra da jornalista e psicóloga Rosely Sayão, durante a recepção dos pais, organizada pela FAAP em um de seus vestibulares. Para aqueles que, como eu, são seus leitores regulares, ouvi-la, além do prazer de sua simpatia e carismas pessoais, confirmou a certeza de que educadores sérios não se curvam a modismos, nem perdem a esperança na educação.

Esse encontro remeteu a outro, há muito tempo, com um educador espanhol, cujo nome perdi no tempo, e que afirmava que, nos dias de hoje, os pais, com receio de errarem, não dão aos filhos algo essencial, a segurança. Essa segurança que nasce da firmeza de princípios e que deve fornecer ao ser humano, por toda a vida, os fundamentos de suas decisões adultas e autônomas: na fase adulta, orientar, aconselhar e amparar passam a ser as funções paternas já que ações intervencionistas só fazem infantilizar e fragilizar o educando.

A menor disponibilidade de tempo dos pais, causa inconsciente de um senso de culpa, não pode ser resgatada com leniência e permissividade nas ações educadoras. Menos tempo no cuidado dos filhos deve resultar em maior qualidade das relações, em dedicação plena nos espaços de convívio e, jamais, em relaxamento de autoridade.

É, a partir dessa insegurança dos pais, que prosperam os “pedagogismos” de última hora que, em nós mais velhos, provocam estupor ou revolta. Citaria, como exemplos antológicos, o da “fúria desfraldante” de certos pediatras, ou da “desemchupetação” alucinada de certas professoras ou, se quiserem um exemplo clássico, o da “síndrome da ocupação da cama paterna”. Todos esses “males” que podem ser associados como posteriores traumas, ou incômodos psicológicos, poderiam ser evitados com um pouco da pedra angular da educação, o bom senso.

Como diria um antigo pediatra que cuidou de milhares de crianças e, por consequência, de famílias, “quantos adultos chupam chupeta, usam fralda ou dormem com seus pais”? Em contrapartida, quanto choro e sacrifício foram despendidos forçando crianças a “crescer” antes da hora e de forma equivocada?. Nada mais nocivo do que pseudoteorias para justificar a comodidade de pais, professores e babás.

Seguramente, minhas afirmações poderiam gerar uma onda de argumentos contrários aos quais, de forma muito pacífica, contraporia outro único e imbatível: o de que cada ser humano tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento e, qualquer generalização, apenas obedece a razões externas e, portanto, arbitrárias.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br