Novos cuidados no retorno do ensino presencial

Colégio FAAP

07 de maio de 2021 | 12h40

Em nosso Colégio, desde as primeiras experiências na educação híbrida, temos tido o cuidado de detectar novas características de posturas nesse “desenvolvimento em clausura” dos nossos alunos. Não falamos, apenas, das condições do contato com os novos colegas (evento extremamente modificado pela convivência on line) e da formação de novos grupos de afinidades, falamos de comportamentos e distúrbios psicológicos, relativamente comuns em nossos jovens, que se amiudaram ou agudizaram.

Apesar da enorme experiência e de excelentes resultados em receber e apoiar jovens em delicadas situações, fica patente que, aqui também, a excepcionalidade provocou insuspeitadas mudanças. Se dizíamos que a contemporaneidade havia criado uma “geração tarja preta” pela quantidade em que essa faixa etária consumia ansiolíticos e pela procura de terapeutas, hoje o quadro apresenta novas facetas que demandam muito mais atenção e cuidados.

Pais e educadores sempre caminharam na estreita fronteira que divide “comportamentos manhosos” de distúrbios psicológicos e comportamentais merecedores de atenção especial. Em nossos dias, há que se observar, com muito cuidado, os novos distúrbios que começam a ser apontados pelos especialistas e buscar, com eles, as ferramentas pedagógicas apropriadas para enfrentar esses comportamentos.

Se muito do que foi deixou de ser, não seria diferente com a educação. Analisando as formas de retorno ao ensino presencial, causa muita preocupação a manutenção de estratégias e abordagens pedagógicas que, se já inadequadas antes da pandemia, tornaram-se absurdas agora.

Assistimos (como temos apontado) a persistência de critérios de avaliação despropositados pelas condições didáticas vividas; temos identificado (em escolas que buscaram, sempre, seriedade), atitudes autoritárias inadequadas de disciplinamento pedagógico que ignoram, completamente, a agonia desta geração, mutilada pelas limitações e medos.

De tanto temer o novo, é possível que nos agarremos ao velho que faliu e que, com isso, criemos mais sacrifícios a quem já foi muito sacrificado!

 

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.