Novas ameaças da “ditadura da caneta vermelha”: avaliações “hibridas”

Colégio FAAP

05 de novembro de 2021 | 17h14

Desde o início dessa “excepcionalidade pedagógica” da qual começamos a emergir, uma das preocupações constantes do Colégio FAAP foi a adequação dos critérios de avaliação nesta etapa de delicada transição.

Temos observado, com preocupação, a dificuldade de muitas escolas de adequar seus critérios de avaliação a essa “etapa híbrida”. Se a passagem do ensino a distância, com seu intermediário híbrido, demandou tanto cuidado e atenção, não me parece que se tem dedicado igual cuidado aos critérios dessa nova realidade que se aproxima, rapidamente, das avaliações finais.

A experiência das dificuldades do nosso Colégio, bem como nossas fórmulas de superação que trazemos como singela contribuição aos educadores, vem como preito de gratidão à competência e dedicação de nossa equipe.

Mensurar com acuidade e justiça o real crescimento de nossos alunos deve, primordialmente, se desvincular dos parâmetros anteriores sob o risco de acrescentar aos traumas vividos o símbolo máximo do fracasso escolar, a reprovação. Num universo onde nossas crianças e jovens (mais sensíveis que nunca), revelam angústia, ansiedade e diversos distúrbios psicológicos, acrescentar a essa instabilidade os estigmas do fracasso escolar será um verdadeiro ato de crueldade.

Dentre os indicadores verificados em algumas escolas desse retorno à “finada normalidade”, encontramos os vestígios de uma prática funesta, antiga, mas ainda viva, a da “ditadura da caneta vermelha”. Nos tempos em que o professor era o sujeito da educação e que o autoritarismo pedagógico era fortalecido por uma escala que ia de zero a dez, tal absolutismo se exprimia por décimos de ponto, como se houvesse qualquer possibilidade de se avaliar crescimento humano por essa régua medíocre.

Como tal rigorismo descabido ainda é, para muitos desavisados, indicador de ensino eficaz, jamais será demasiado lembrar a verdadeira legião de “alunos ruins” que se revelaram brilhantes e geniais fora de sufocantes espaços escolares. Presenciar um educando mendigar meio ponto ou (o inaceitável), por essa migalha ser reprovado, é o retorno à pré-história educacional.

A tantos quanto nós, que avaliamos com a largueza e ponderação que a vida exige ao ser observada, é desesperador assistir que o mundo mudou, mas outros se apegam a ferramentas castradoras da educação para a libertação!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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