Novas ameaças: antigos remédios

Colégio FAAP

17 de julho de 2020 | 09h59

O grande risco de uma doença é o desencadeamento de síndromes, conjunto de sintomas decorrentes dela. Vivemos uma pandemia que contagia, não apenas os infectados, gerando, obviamente, consequências sociais, econômicas e psicológicas que, da mesma forma, exigem combate.

Atentos às derivações da pandemia na educação, verificamos uma tendência muito perigosa no que se refere à desesperança e que contagia estudantes e suas famílias. Sem dúvida, no oceano de incertezas onde navegamos desnorteados e, muitas vezes, retrocedemos para tentar novamente, é compreensível a insegurança. Mas, educadores que somos, não podemos deixar fenecer a esperança.

Na FAAP, o início do enfrentamento da crise foi, sobretudo, o de fazer os alunos crerem que podíamos, coesos, gerar novos caminhos. O resultado dessa adesão sinérgica foi a enxurrada de gratidão, ao final do semestre, que recebemos de alunos e famílias por não termos desistido deles.

Por outro lado, agora, os noticiosos divulgam tendências desanimadoras, preocupantes e extremamente comprometedoras: estudantes desistindo, trancando matrículas, querendo considerar o ano como perdido, entregando o jogo antes do final.

Em educação o jogo jamais termina!

Mesmo nos setores onde as tentativas de readaptação foram singelas, senão quase inócuas, a simples tentativa de manutenção de uma disciplina de estudo e da cultura escolares, foram mais produtivas do que o assumir o fracasso e desistir!

Por omissão, cansaço, comodismo ou mesmo ignorância, essas tendências extremamente nocivas “do ano perdido” ou “deixemos para depois” podem jogar uma pá de cal na vida estudantil de milhares de jovens e enterrar, definitivamente, suas vidas escolares.

Se retomar uma nova rotina, mais intensa e próxima da antiga, será tarefa titânica, fazê-lo, após o vácuo do absenteísmo, será caminharmos à beira de um abismo,  “começar do menos muito”, pois não contaremos com nenhum resíduo positivo, quer em termos de disciplina de estudos, quer, sobretudo, na confiança em um processo novo que dependerá, mais do que nunca, da adesão coletiva já abandonada!

Nós que conseguimos, com enorme empenho, cumprir o semestre, praticamente sem perdas, fazendo com que 87% de nossos alunos tivessem êxito nos vestibulares de meio de ano, lembramos da velha e única fórmula segura para o êxito na educação: parceria estreita e constante entre os parceiros do time, escola e famílias para mostrar ao aluno que ele é o sujeito da educação e  que ele sempre valerá a pena porque a crise é passageira, mas a desesperança a prolongará

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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