Na pandemia: repetir, insistir e viver a informação para sobreviver

Colégio FAAP

27 de agosto de 2021 | 15h48

Se para os mais velhos (em tese, mais bem informados) aspectos essenciais da realidade são alheios, o que não dizer dos mais jovens para os quais o passado é “tempo de manual de história” e o presente é para se viver sem limites?

A obviedade de tais constatações hoje em dia, onde a informação é fator de risco e vidas, deveria assustar, mas o que temo que vemos impõe o tema:  informações imprecisas ou alienação insuspeitada são constatações assustadoras que obrigam aos educadores atitudes urgentes e mais efetivas.

Parece que as pessoas se acostumaram a “surfar esportivamente” ondas macabras e sucessivas da epidemia, como se a doença e as mortes fossem dados estatísticos inumanos. A ilusão do poder infinito das vacinas, o negacionismo, a ânsia de liberdade física que aguilhoa prosseguem ceifando incautos e inocentes.

Parágrafos tão repetitivos quanto indispensáveis…

Se para os mais velhos horizontes sombrios de UTIs e intubações são os argumentos preventivos, para os jovens, a não ser mortes próximas, todo o resto são tidos como discursos vazios e desacreditados. Mesmo que as crises institucionais, que, em quase todas as sociedades, contaminem a prevenção, é dever de urgência máxima dos educadores intensificar e mudar as estratégias de prevenção, enfrentando todas as variáveis contrárias.

Outra, menos percebida, mas não menos grave, sequela da pandemia é a maré de depressão e melancolia que se infiltrou entre idosos e adolescentes e de consequências nefastas. Por mais que se queira atribuir a comportamentos psicológicos eventos passageiros, os efeitos que temos constatados são assustadores e as ações profiláticas são inócuas ou inexistentes.

É indispensável que as instituições de ensino repensem as abordagens e atitudes de prevenção e, sobretudo, de conscientização. Se as fórmulas até aqui aplicadas têm efeitos comprovadamente insuficientes, há que se criar novas abordagens sob pena de repetirmos antigos erros que custaram milhões de vidas e, por não constarem nas fatídicas estatísticas, sejam minimizadas.

Se muitas escolas conseguiram minimizar os efeitos da pandemia graças à sua capacidade humana e tecnológica de adaptação, não há por que, nem justificativa para o enfrentamento dessa terrível sequela que a pandemia tem provocado.

Nós, do Colégio FAAP, temos usado, contando com a qualidade de nossa equipe, todos os recursos pedagógicos, para identificar e cuidar, em íntimo contato com as famílias, quaisquer sinais psicológicos diferentes. Graças ao conhecimento cuidadoso de cada aluno, graças ao relacionamento sempre próximo e à troca permanente de informações e à posturas  de abertura e diálogo, temos conseguido manter a depressão coletiva distante de nossos alunos.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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