Na exceção, as dimensões se apequenaram

Colégio FAAP

21 de maio de 2021 | 14h31

Lendo um artigo (cujo autor, lamentavelmente, esqueci), despertei para uma consequência da pandemia que passa despercebida, mas que os fatos confirmam: a atrofia de nossa percepção do entorno mais amplo.

De fato, o enclausuramento de uma substancial parcela da população foi criando, paulatinamente, um estreitamento da visão de mundo. Aquilo que marcou a contemporaneidade em termos da amplitude da visão do mundo dilatada pelos meios de transporte e de, sobretudo, pela comunicação, parece atrofiada pelo encarceramento compulsório.

Num primeiro relance, achei a tese forçada, mas o retorno semipresencial às aulas fez surgir, com muita discrição, essa “sequela” do confinamento. Muitos alunos entram contemplando os espaços mais amplos com um certo deslumbramento. Da mesma forma, observamos esse fenômeno nos espaços públicos após o afrouxamento da primeira onda.

Mesmo que seja um fenômeno constatado, mas de relativa importância, a pergunta que não pode calar é: que importância deve tal comportamento ocupar nas inúmeras preocupações do educador?

Na sensibilidade exacerbada das crianças e dos jovens, pequenas alterações em seus modos de ver a vida devem, obrigatoriamente, ser observadas e adequadamente consideradas.

Na busca de atender às disposições sanitárias em vigor bem como à criação de uma “pedagogia da exceção”, esse alheamento deslumbrado há que ser utilizado como fator de alavancagem para o gradual retorno às escolas. O desfrutar dessa suave vertigem de liberdade poderá conferir ao ambiente escolar uma saudável dose de renovação e estímulo na medida em que torna o antigo renascido atraente.

Porém, há um risco (provável) e que deve ser evitado com muito cuidado: a tendência de se retornar a esquemas antigos que não preveem essa fase de transição, menosprezando a quão inusitada é a situação vivida tornando-a mais difícil.

Esquemas mais amenos e mais cordiais de recepção; disciplina diferenciada (que nada tem a ver com indisciplina) e, sobretudo, intensificação de didáticas interativas e dinâmicas. Essa tem sido a fórmula exitosa do nosso acolhimento a essa quase nova geração…

Desconsiderar qualquer comportamento novo será ignorar (como alguns) o transe que estamos vivendo e, por consequência, tentar retornar a tempos finados.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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