Na era do espetáculo, como dar sentido às formaturas

Colégio FAAP

07 Dezembro 2018 | 10h54

Após mais de cinquenta anos de vida docente, pude assistir a um verdadeiro festival de mudanças de sentidos para esse tão tradicional evento da vida escolar. Desde formaturas que se revestiam de uma pompa quase sagrada, até festas sem qualquer conteúdo educacional que se perdiam na vacuidade de desfiles de moda remetendo ao pensador Guy Debor que lapidou o conceito “sociedade do espetáculo”.

Para que a tradição seja mantida e se recupere o sentido pedagógico das formaturas, é necessário que refletir sobre o que se busca em tais eventos.

Ao educador compete fazer das formaturas um rito de passagem, onde a festa seja a moldura de um conteúdo mais sério: marcar o momento em que, finda a vida escolar, deve o educando dar conta de que um cenário menos protegido e amigável se abrirá; mundo em que uma inusitada orfandade atribuirá aos formandos responsabilidades crescentes e intransferíveis.

Evidentemente que esse rito não pode preterir a alegre comemoração de uma vida de camaradagem. É uma festa da celebração de amizades que se eternizarão; liturgia de carinho entre educandos e educadores que pede reverência.

Para tanto, a pompa e a circunstância podem ser reduzidas àquele que deve ser o padrão adequado às formaturas: um momento de singela e espontânea alegria, dentro da dignidade que a educação exige e que confirma o valor da festa.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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