Lições de casa: a construção de uma cultura de estudo

Lições de casa: a construção de uma cultura de estudo

Colégio FAAP

01 Junho 2017 | 18h21

Como comentei em post recente, a questão das atividades domiciliares dos alunos envolve tantas variáveis e tantos riscos que nos obriga a mais algumas considerações: em nossos dias, o que pareceria óbvio até ontem, por tantas opiniões extravagantes em contrário, acaba por ser útil. Assim, que os incautos não nos culpem pela obviedade, mas percebam o quanto o óbvio foi dizimado pela insegurança de modismos nefastos e pela insensibilidade dos educadores.

Retomando, lembramos a fonte de atritos e frustrações que as lições de casa podem provocar em tempos nos quais, o que falta aos pais, é tempo e onde as escolas aumentam seus níveis de solicitações. A gestão do tempo, aspecto tão vital em todas as organizações contemporâneas é, talvez, um dos pontos nevrálgicos desta questão: para que o estudo possa ser, minimamente, eficaz, é necessário que a família sacralize esse tempo e o administre conforme a idade do estudante, criando os espaços de descontração, de mudança de tarefas e ritmos.

No caso do espaço do estudo, o essencial é boa iluminação, a biometria e o conforto adequados do mobiliário, o silêncio e a ordenação do material a ser utilizado. O caos dos gênios trabalhando é uma péssima mentira cinematográfica. A ordem no espaço é pré-condição para a disciplina de estudo e o conforto adequado é aquele que permitirá ao estudante a concentração e não o convite ao sono. Na desordem ou no conforto excessivo não se encontrará o foco necessário. Uma boa cadeira, uma mesa na altura correta, uma fonte de luz, preferencialmente natural e o material escolar é o que se precisa para o estudo.

Não é incomum encontrarmos uma verdadeira parafernália da “inutilitária doméstica” que predispõe a quase tudo na vida de um jovem, menos ao estudo: sofás, luminárias, arsenais eletrônicos e uma miríade de tudo o que uma papelaria pode imaginar em seus depósitos.

Posta a mesa, os comensais devem criar o clima de trabalho: tranquilidade, colaboração, paciência e, acima de tudo, disciplina na manutenção do foco. Aos pais e supervisores das lições de casa, cabe a criação de uma cultura de trabalho descontraído e colaborativo, obriga a deixar porta afora tudo o que não envolva estudar. Quando não se tem essa condição, não se educa!

Uma das mais perniciosas falácias que tem comprometido essa geração designada de Nativos Digitais é a crença de que um de seus novos dons seja o “multitarefismo”, ou seja, sua capacidade de operar inúmeros equipamentos simultaneamente. Longe de ser uma habilidade, a neurociência comprovou que essa atitude é geradora de uma “atenção superficial” que acaba por dificultar as tarefas mais áridas que o raciocínio científico exige conforme se evolui na vida escolar.

Criar uma cultura de estudos domiciliares é o grande desafio para as famílias no início da vida escolar dos filhos.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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