Jovens seletivos no universo das cavernas digitais

Jovens seletivos no universo das cavernas digitais

Colégio FAAP

25 Abril 2017 | 09h54

Tentando justificar o comportamento arredio de sua filha, um amigo dizia ser ela “seletiva”. Seguramente, ele usava um argumento tendenciosamente eufêmico para justificar atitudes estranhas e antissociais que afastavam pessoas e colocavam sua filha numa espécie de limbo social.

home_keyboard

Temos enfrentado essa patologia social com mais frequência do que esperávamos nestes tempos de redes sociais em conexão permanente, o que nos leva a convidar nossos leitores a aprofundar a reflexão sobre aquele que pode ser mais um dos horizontes insuspeitados dessa geração de nativos digitais. Em que medida essa convivência digital aproxima efetivamente as pessoas? Ou, como alguns estudiosos preconizam, o convívio digital, criando perfis que falseiam a realidade e, daí, facilitariam o isolamento em “cavernas cibernéticas”.

Como a evolução tecnológica atropela, sistematicamente, a capacidade de se estudar as transformações por ela provocadas, vivemos à beira de um precipício civilizatório de consequências imprevisíveis.

Numa primeira abordagem, nesses casos de misantropia precoce, salientamos para os jovens e suas famílias as insuperáveis barreiras que se apresentarão àqueles que têm dificuldades de relacionamento na vida profissional onde o trabalho em equipe é regra. Se os educadores não trabalharem, exaustivamente, a sociabilidade dos educandos, teremos novos trogloditas buscando “empregos de gênios”, trancafiados em laboratórios, coisa que nunca existiu e não existirá, mesmo em tempos de home work, produzindo psicopatologias cada vez mais graves.

Em nosso Colégio, mais e mais nos dedicamos à cuidadosa carpintaria de integrar alunos arredios, de desbastar arestas de comportamentos com “halitose social”. Nessa tarefa, a primeira e nem sempre mais fácil etapa, é fazer é sensibilizar as famílias que o problema pode estar em seus filhos e não nos colegas. A tendência dos pais vai na direção da busca dos “amigos certos” quando, na vida real, as boas amizades nascem da amplitude maior do espectro das relações humanas.

Enquanto a mídia e os “especialistas” se preocupam com o bullying, o ajuste dos grupos e as estratégias para harmonizá-los no ambiente das escolas é a única profilaxia para essas formas de agressividade. Localizar os “seletivos” e os “selecionadores”, sensibilizá-los para seus papeis em sociedade e para com os direitos alheios, permite ao educador ajudar a criar o ambiente de cordialidade que é o oxigênio da vida escolar e que tem sido nossos maior trunfo para o sucesso.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br