“Há um certo preconceito com a matemática que os alunos carregam desde o ensino básico”

“Há um certo preconceito com a matemática que os alunos carregam desde o ensino básico”

Colégio FAAP

17 de abril de 2019 | 09h41

Para a professora Maria José Soares, é preciso desmitificar a disciplina como inacessível

A professora de matemática do Colégio FAAP, Maria José Soares Correa, mais conhecida como Mazé, chama a disciplina da qual está à frente há mais de 25 anos de “a poderosa”, principalmente pelo seu poder de comunicação e por estar presente em quase todos os setores.

Apaixonada por sua área desde a infância, Mazé é licenciada em Matemática e técnica em Química. Para ela, é preciso ensinar matemática com exercícios práticos do dia a dia, porque a teoria acadêmica é realmente difícil. “Muitas vezes o aluno sabe a resposta, mas não entende o enunciado. Por isso é necessário traduzir a linguagem que está nos livros”, diz.

Confira a entrevista da professora para o Blog do Colégio FAAP.

Para a professora Mazé, a teoria acadêmica é muito difícil, por isso é preciso trazer para a realidade do aluno, com exemplos práticos do dia a dia (Foto: Fernando Silveira / FAAP)

 

Por que sua disciplina é tida, pela maioria dos alunos, como “dura”?

Há um certo preconceito com a disciplina de matemática que os alunos carregam desde o ensino básico, por vários fatores. Para mim, a matemática é a “poderosa”. É assim que a chamo em sala de aula. A matemática tem um poder de comunicação único. Quando estamos no aeroporto, em qualquer lugar do mundo, quando a pessoa olha para o painel, mesmo sem saber muito bem a língua que se fala naquele lugar, como ela consegue ir para o portão certo para pegar o avião? Pelo número do voo e pelo horário de partida. E isso é código matemático. É algarismo indo-arábico.

Quais são as principais carências de formação dos alunos em matemática e que comprometem a aprendizagem?

Como disse na questão anterior, há, antes de tudo, um preconceito, um receio.  Antes mesmo de aprender, os alunos já acham a atividade difícil, então criam uma certa resistência. Meus alunos vêm de várias escolas diferentes, mas a curva de dificuldade é sempre igual entre muitos deles. Uma simples mudança na forma de fazer a pergunta ao aluno já adiantaria em muita coisa, pois o faria compreender o que está sendo perguntado. Muitas vezes ele sabe a resposta, mas não entende o enunciado.

Uma das grandes dificuldades que o aluno encontra é seguir instruções, ou seja, há uma sequência a seguir na matemática, que é preciso ser memorizada. Na matemática não existem dois pesos e duas medidas. Não existe a expressão “pode ser”. Dois mais dois serão sempre quatro.

Quais são os recursos de que você se vale para suavizar tais dificuldades?

A teoria acadêmica é muito difícil. Então, é preciso trazer para a realidade do aluno, com exemplos práticos do dia a dia. Trago objetos de casa para mostrar como é o cubo, o paralelepípedo, o cilindro e explico a partir deles. Fica mais fácil compreender. Uso cores diversas para diferenciar as coisas. Enfim, é preciso utilizar vários recursos, sempre, e não somente seguir o livro didático.

Como mostrar a importância de sua disciplina na realidade do mercado de trabalho?

O jornalista precisa entender alguns termos de matemática para escrever sobre assuntos econômicos. Ele tem uma pauta, com um número de caracteres a seguir. Médicos utilizam cálculos matemáticos, precisam entender dados percentuais. O engenheiro calcula áreas para levantar um prédio. No passeio ao shopping, a gente precisa entender o percentual de desconto, para saber se realmente é um benefício aquele desconto. A matemática está em quase tudo.

Em que medida se vale do universo digital em suas aulas?

Sempre que posso, utilizo para facilitar a aula. Por exemplo, para pesquisar alguma imagem sobre algum assunto que estamos vendo em sala, ampliar esse desenho, mostrar por dentro ou trazer contrapontos.