Gentileza, delicadeza e cortesia: indicadores civilizacionais

Colégio FAAP

03 de novembro de 2021 | 11h21

Uma das preocupações constantes de quem já atingiu “certa idade” deve ser a revisão permanente e atenta das mudanças de valores para a criteriosa avaliação daqueles que se esvaziaram pela sua inadequação e dos que se desgastaram e que precisam ser resgatados.

Para o educador, que depende de uma aguçada sensibilidade para as mudanças valorativas das novas gerações, essa sintonia fina é fator vital e fundamental para a comunicação com o educando – pré-requisito básico para o processo de aprendizagem. Um dos fatores primários do fracasso pedagógico é o anacronismo dos agentes pedagógicos que, pela perda da sensibilidade das mudanças culturais, passam a falar “línguas diferentes” das de seus alunos”, transformando-se em estrangeiros. 

Todo esse necessário preâmbulo deriva da constatação de uma tendência incômoda nas atitudes mais comezinhas no trato diário, a ausência de delicadeza, cortesia e gentileza que tem contaminado a essência do trato humano civilizado.  

Pedidos de “licença”, “desculpas”, “por favor”, agradecimento, enfim, os pequenos gestos que, ainda que formais, são indicadores do cuidado, da atenção para com o próximo, da essência primeira do processo que compõe a cidadania e que constrói o que designamos de atitudes republicanas. 

Não poucas foram as vezes em que me perguntei se tais gestos, enquanto atitudes impostas pela educação formal, teriam, em si, algum real valor. No entanto, sempre ficou a certeza que o respeito ao próximo se concretiza numa pluridade de atitudes que, somadas, formam a cultura cidadã, valor tão ameaçado.

E, aqui, retornamos àquele que é o fundamento efetivo da educação: o exemplo, o mais eloquente e efetivo instrumento pedagógico. Atitudes espontâneas e convictas, partindo daqueles a quem os jovens emulam, valem por todas as palavras de uma língua!

De igual importância, devemos, publicamente, valorizar tais gestos de civilidade, destacando seus autores para que eles, superando os estigmas de “caretas”, sejam o melhor exemplo das condutas que devemos valorizar. 

Mesmo correndo os pecadilhos do excesso de zelo (pois tais ações jamais seriam antipedagógicas), acreditamos indispensáveis os cuidados para que não percamos o difícil “jogo da educação” em detalhes de fácil execução, mas de efeitos irreparáveis.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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