Final de férias: a vida renasce

Final de férias: a vida renasce

Colégio FAAP

30 Janeiro 2017 | 17h03

Poucas coisas são mais tristes para um educador do que uma escola vazia: úteros estéreis de cimento, túmulos de nascituros, qualquer metáfora funesta (e de mau gosto) é insuficiente para ilustrar o que sentimos quando a razão de nossas vidas, o aluno, nos falta.

E é com esse espírito de renascimento da vida que todos os envolvidos no processo educacional devem se imbuir no recomeço das aulas.

Explicável, porém inadequada, é a reação de alívio doméstico que muitos pais manifestam com o retorno às aulas. Ao sentimento indiscutível de rejeição nos filhos, mescla-se, muitas vezes, de forma subliminar, o ancestral estigma da escola como um castigo.

Lembrar que, em qualquer fase da vida escolar, o retorno às aulas deve, sempre, ser festejado como um renovar de esperanças, uma confirmação do desejo de crescimento, o reencontro e renovar de amigos.

Evidente (em respostas aos críticos silentes) que o retorno à disciplina de estudos e às naturais resistências a conteúdos, lembra as naturais dificuldades das inevitáveis “dores do crescimento”, mas neutralizar tais agruras como tempero da esperança é o dever indeclinável do educador.

Criar uma cultura positiva de retorno às atividades escolares é, da mesma forma, preparar, sobretudo os mais jovens, para o receio ante o novo. Novos grupos, novos professores podem significar inícios comprometedores do processo de aprendizagem com marcas indeléveis na história de um ser humano; animal de essência social. No ser humano a rejeição surge como uma forma mal disfarçada de morte, sobretudo, na   sensibilidade da infância e da juventude. Nesses primeiros dias dessa nova jornada, todos os envolvidos no processo devem ter atenção máxima para reações adversas, devem trabalhar em diálogo constante para que qualquer aresta não se constitua em obstáculo.

Nesta era de interconectividade constante e aguda, as “crônicas das férias”, perdendo a maior parte de sua novidade, ampliarão as atenções sobre os novatos que, mais do que outrora, estarão sob os holofotes críticos dos veteranos correndo, assim maior risco de exposição negativa.

No entanto, há sempre que se tomar muito cuidado com atitudes paternalistas que, retirando do educando a responsabilidade de encarar seus desafios, de amargar eventuais dissabores o mergulham num infantilismo perene e mórbido. Amparar não é assumir tarefas alheias, não é buscar “outros culpados” para atenuar erros, é estar próximo, é incentivar, é sugerir alternativas e, jamais, escolhê-las pelo outro.

Recomeçar deve ser sempre entendido como viver novamente, com mais intensidade e paixão: feliz reviver 2017!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br