Falando de corda em casa de enforcado: reprovações

Colégio FAAP

30 Novembro 2018 | 15h23

Abordar tal tema às vésperas do final do ano letivo, para muitos alunos, felizmente, será fantasma exorcizado. No entanto, para outros, pode parecer mau agouro. Mas, para o educador, cada aluno é o mais importante. E os que sofrem percalços, ainda, um pouco mais.

Historicamente, a reprovação escolar ganhou múltiplos e, quase sempre, distorcidos conteúdos: desde a condenação social máxima para “alguém que só estuda”, até, no extremo oposto, a comiseração familiar conduzindo a “consertos legais alternativos”, que desautorizam e comprometem a própria educação.

Nas escolas que acompanham cuidadosamente a vida de seus alunos e que, em paralelo, assistem e orientam dificuldades, a reprovação só pode ser aceita como a necessidade do educando de repaginar uma etapa de sua educação para consolidar carências de maturidade e de formação.

A lei é muito clara quanto à avaliação do educando. Devem ser consideradas sua integralidade e, sobretudo, a aquisição de condições de acessar a série subsequente e as necessárias habilidades intelectuais para tanto. Sempre é levado em conta que o reprovado, reunindo potencial de aprovação, não se aplicou para isso. Caso diferente, seria objeto de inserção e, como tal, avaliado por outros parâmetros.

O maior e crucial desafio de uma reprovação necessária é o tratamento subsequente ao evento. Trabalhar pedagogicamente a reprovação, enquanto fator de crescimento, é afastar os estigmas acima apontados, fazer de um percalço uma experiência enriquecedora, senão tudo mais será punição injustamente entendida. Nessa etapa o papel da família será, mais do que nunca, absolutamente indispensável e vital.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

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