Estudando com o Mestre Corona

Colégio FAAP

17 de abril de 2020 | 10h34

Se aprender com o Mestre Corona depende de se estudar com ele, esta foi outra tarefa que os professores e a equipe do Colégio FAAP tiveram que enfrentar em simultâneo desafio a muitas outras. Ajudar os nossos alunos e suas famílias a reorganizarem, física e qualitativamente, suas vidas escolares só foi possível graças à proximidade entre os parceiros nesse intrincado jogo de sobrevivência.

A reorganização da vida, que parecia, num primeiro momento, desnecessária por não crermos na efetividade e no alcance da pandemia, se impôs abruptamente, nos obrigando a um esforço emergencial, onde cada agente do processo teve que se adaptar pensando nas dificuldades dos demais participantes, ou seja, sem saídas individuais.

No caso das escolas, as demandas dessa “nova vida” potencializam a complexidade  das ações. Manter um padrão comum e coerente das novas abordagens didáticas a todas as disciplinas, acompanhar em tempo real (mas a distância), as dificuldades de cada aluno, demandaram e exigem uma atenção acurada e um franco diálogo entre todos os atores do processo.

No sentido de deixarmos uma pequena contribuição aos nossos leitores, abordaremos alguns pontos desse “estudar novo” que buscamos trabalhar com os alunos do Colégio FAAP.

A separação virtual do espaço de estudo dentro do ambiente doméstico tem sido um grande obstáculo e impõe a criação de um imaginário específico que permita a separação entre ambos (estando unidos): estar em casa numa situação escolar obriga a uma disciplina que, isoladamente, os alunos não logram, mas que não pode ser eternamente tutelada. O apoio da família é essencial na medida em que permita a subsequente autonomia dos alunos.

Aí, se acentua uma confusão, comum aos nossos jovens, e que sérias dificuldades trazem para as relações escolares: a confusão entre o público (escola) e o privado, na qual a falta de definição clara dos limites tem consequências danosas, sobretudo sob o aspecto pedagógico.

Estabelecer uma disciplina de horário de trabalho foi o ponto crucial. Disponibilidade de computador na família, local de estudo e sossego no ambiente, tudo isso deixamos por conta do bom senso e da própria estrutura familiar. Mas o respeito ao horário das aulas virtuais, dos exercícios e entregas de trabalhos foi uma difícil tarefa de disciplinamento construída pela pertinácia e convencimento de nossos professores e equipe na criação de novos conceitos de responsabilidade e de trabalho.

No contexto em que estamos operando a educação, responsabilidade, apoio, paternalismo excessivo e autonomia são peças de uma muito delicada arquitetura que pode se estilhaçar em qualquer descuido!

O intenso uso do espaço virtual que essa geração de nativos digitais tem nunca afastou, em minhas reflexões, a desconfiança de que a tecnologia sempre foi, muito mais, uma ferramenta de lazer do que de trabalho. De certa forma, essa minha grosseira hipótese se confirma por uma certa e mal disfarçada resistência que nossos alunos têm a trabalhos escolares mais sérios, metodologicamente conduzidos e duradouros no uso de TI.

Uma hipótese vaga, mas que pode vir a ser útil, se comprovada e trabalhada em alguma medida.

Ao tratarmos da questão da gestão do tempo escolar, é muito importante fazer o aluno respeitar prazos e disponibilidade do atendimento pela escola. Mesmo que as plataformas utilizadas parametrizem, didaticamente, o uso e o tempo de suas ferramentas, a sensação de intemporalidade que o meio digital proporciona pode comprometer o método, pois “a escola está em casa”, sem sinais e limitações físicas.

Outro aspecto importante de se destacar é o do risco da desmitificação de provas e trabalhos e sua consequente desvalorização e danos pedagógicos. Mesmo que acostumados a uma parcela de tarefas em espaço digital, o peso e a importância (muitas vezes demasiado) dos trabalhos e avaliações fora do meio físico, geram, num primeiro momento, um certo descaso pelos mesmos que só ganharão respeito e valor com resultados negativos, notas baixas. Daí a importância de se fazer, desde o início, a “conversão dessas moedas”.

Voltaremos ao assunto, pois o tema e as experiências o permitem.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.