Escola nova, antigas dúvidas

Colégio FAAP

05 Outubro 2015 | 10h14

Escolher uma nova escola para os filhos é tarefa tão importante quanto difícil e arriscada: uma escolha equivocada, mais do que eventuais fracassos escolares, pode representar traumas e desencantos na tão difícil tarefa de educar nestes tempos de complexidade.

O transe se aprofunda quando a mudança se dá na passagem para o Ensino Médio: a perspectiva da escolha da carreira e do desafio do vestibular aproxima as famílias das previsíveis ameaças de um mercado de trabalho altamente competitivo, criando imagens de um futuro ameaçado.

Alguns pontos essenciais devem ser considerados para minimizar as naturais dificuldades de crianças e jovens de se adaptarem a novas culturas: como a novidade sempre gera alguma dose de desconforto, não deve permitir que esse rito de passagem leve a deserções prematuras e que, normalmente, criam uma sequência desastrosa de erros que podem desaguar em fracassos educacionais irreparáveis.

O êxito ou fracasso de uma mudança escolar dependem, em essência, da maior coincidência possível dos valores e objetivos entre  escola e família.

Mesmo que o principal objetivo a se buscar seja o sucesso nos vestibulares, há que se lembrar que “máquinas de reproduzir conteúdos” não, necessariamente, ensinam a pensar; jamais podemos perder de vista que, ainda que adolescentes, os mesmos ainda estão em fase de formação e, portanto, os valores morais e éticos que permeiam a cultura do colégio devem ser condizentes àqueles da família, e que o processo de aprendizagem só acontece numa cultura de cordialidade que possa aproximar o jovem, o máximo possível, do prazer de aprender.

Para que a família perceba se a cultura da escola se harmoniza com seus anseios, visitas em momentos em que a escola esteja ativa são essenciais: um projeto pedagógico coerente deve perpassar por todas as células de uma instituição; desde a portaria, transitando pelos corredores e salas de aula e chegando à direção, tudo deve estar alinhado; dissonâncias entre o que a escola propõe formalmente e a realidade do “chão de aula” podem revelar desajustes na gestão e escolhas enganosas de uma realidade não percebida.

É comum e recomendável que as famílias consultem aquelas cujos filhos estejam na instituição pretendida e que tenham, da mesma forma, perfis semelhantes: é causa corriqueira de equívocos, na mudança de escola, a “reação de grupo”, quando um estudante influencia outros o que, pelo já mencionado temor do desconhecido, leva a decisões equivocadas.

Fatores como preço e proximidade geográfica devem ser considerados com muito critério uma vez que, priorizados na escolha, podem levar a erros de custos muito mais elevados: menos do que o fracasso escolar, o desencanto no enfrentamento de um novo ambiente escolar pode ser o desencadeador de processos psicológicos traumáticos de difícil reversibilidade.

No caso de a mudança dizer respeito ao ensino fundamental, os riscos, a complexidade e a sutileza das variáveis a serem consideradas aumentam significativamente e, dependendo da fase etária da criança, podem assumir proporções vitais para a vida futura do estudante.

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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