Empreendedorismo também se aprende na escola

Colégio FAAP

06 Maio 2016 | 11h41

Em tempos de redefinição dos currículos escolares, os educadores têm motivos adicionais para se preocuparem. Se as determinações legais engessarem, ainda mais, a pouca flexibilidade que as escolas têm de construir currículos diferenciados, ficaremos todos na vala comum da mediocridade imposta.

Conseguir espaço para conteúdos mais pertinentes às grandes tendências do mercado tem sido um desafio que, muitas vezes, leva o administrador escolar a desistir de inovar. Isso, para não mencionar conteúdos que derivam de orientações declaradamente ideológicas e que ocupam espaços preciosos no tão escasso tempo pedagógico. Como exemplos clássicos dessa verticalidade, lembramos as “disciplinas cívicas” do autoritarismo que, agora, ameaçam reaparecer como frutos de um “democratismo” igualmente autoritário.

Situada a questão, no caso do Colégio FAAP, vemos ameaçados projetos inovadores como a cadeira de Empreendedorismo tão importante no quadro sombrio de nossa economia no sentido de se gerar crescimento.

Se considerarmos que, há muito poucos anos, 98% de nosso mercado era composto por micro e pequenas empresas e que, nas economias mais sólidas, elas sempre representaram fonte de geração de empregos, de distribuição de renda e, assim, de estabilidade econômica, já teríamos um imbatível argumento para colocarmos, no ensino médio, uma disciplina  que pudesse inocular os princípios do empreender.

Pensar que o adolescente seja refratário à ideia de empreender é tão falso quanto afirmar que ele não esteja preocupado com a escolha da profissão. S e o maior desafio do ensino médio é o vestibular, portanto, empreender, é um dos caminhos em qualquer carreira, sobretudo, quando as grandes organizações buscam esse profissional.

Numa grosseira análise do perfil de nossos jovens, fatores como satisfação pessoal fazendo o que se gosta e liberdade no trabalho, dirigem grande parte das escolhas profissionais e, no empreender, temos esse atendimento pleno.

Trazer para sala de aula os princípios do empreender, sempre apoiados por casos exemplares, sobretudo, quando se tem um acervo de depoimentos onde o aluno possa ouvir as dificuldades e desafios do empreendedor, dão à disciplina um caráter de atualidade estratégica, quer por ir ao encontro dos anseios de uma geração, quer por atender às necessidades do nosso momento histórico.

Da mesma forma, mostrar os grandes desafios de quem quer empreender é tarefa formativa essencial na medida em que desmitifica o empreender como garantia de sucesso. Considerando que 50% dos empreendimentos falecem antes de cincos anos, deixa muito claro que o empreendedor nasce de uma postura construída e continuamente trabalhada; que a sorte jamais é parceira dos despreparados e que, em tempos de crise, a oportunidade só se mostra aos mais aptos.

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP.
Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

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