Em tempos difíceis, perdas incontornáveis: o espaço escolar

Colégio FAAP

25 de maio de 2020 | 12h06

Filho de professor, nasci e vivo em escolas. Por isso, sinto agora, intensamente, a ausência desse sagrado espaço, que tem uma importância vital.

O espaço escolar deve ser pensado como uma forja de seres humanos e, pela própria matéria-prima de que é composto, reúne elementos que nenhuma outra instituição humana possui, construindo um universo de pura magia: a força avassaladora da natureza das crianças e jovens, o ideal e o amor dos educadores, que se fundem em poderosa sinergia plasmando uma atmosfera ímpar e inigualável.

Para aqueles que possam me atribuir exagero retórico de um professor à beira da senilidade, pergunto: o que mais marcou nossas vidas de um tempo que guardamos como um patrimônio as lembranças inesquecíveis?

Por que os colegas de carteira, imortalizados no pó de giz, sempre estarão ao nosso lado?

Por que, colocando adultos em uma sala de aula, em pouco tempo, teremos reproduzida a “incrível leveza da juventude”?

Na infância e na juventude, mais do que em qualquer outra fase da vida, o contato físico é, absolutamente, insubstituível. Contato que tem que ser de toques, cheiros de uma sociabilidade profundamente humana enquanto mais profundos traços desse animal que somos. Nessa época, protocolos sociais e hipocrisias interesseiras ainda não conseguiram anular “o bom selvagem” que nascemos e que nos permite viver a plenitude de nossas naturezas.

Viver a cultura de uma escola é tão importante e marcante que a não felicidade nesse espaço traz severíssimas consequências como temos visto.

Assim, essa lacuna vital que nossos educandos vivem deve  ser pensada com extremo cuidado: por mais que as famílias se desdobrem em carinho e atenção, por mais cuidada e acompanhada que seja a educação online, a ausência libertadora e criativa dos pátios, a impossibilidade da “dança dos bilhetinhos” e de todo o universo lúdico que faz uma escola criam carências incontornáveis!

Nesse contexto de cruel exceção, que as redes sociais (sempre observadas pelos pais) sejam mais navegadas, nesse vácuo de magia, que os intervalos e limites da disciplina seja ampliados e que ninguém, nunca mais, olvide de que o ruído, o turbilhão humano e a euforia de um pátio compõem a verdadeira sinfonia da vida!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

Tudo o que sabemos sobre:

FAAPeducaçãoescola na quarentena

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.