Em busca do tempo perdido

Colégio FAAP

26 de junho de 2020 | 09h54

Que me perdoe Marcel Proust pelo uso profano do título de uma das mais incríveis obras da literatura humana: existem obras tão perfeitas e eloquentes que não utilizá-las é desperdício.

A alteração do ritmo e da qualidade de nossas vidas têm nos levado a algumas reflexões sufocadas pela angústia dos eventos. Desde comparações históricas (descabidas na maioria das vezes) até tentativas equivocadas de se trazer sentido e esperança a este turbilhão desnorteador de surpresas.

Nada mais vital do que pensar em meio ao pânico!

Enquanto educador, ou seja, alguém que vive da esperança de que os jovens, bem formados, tudo consertarão, tento, em cada intervalo das aulas (medida universal de um professor), repensar o que estamos fazendo para não perder a oportunidade de bem viver este momento único de nossas vidas. Acredito, piamente, que tudo pode nos trazer algum ensinamento e, quanto mais se lamenta o leite derramando, menos se consegue evitar o derramamento total.

Entre as coisas de que temos nos lamentado, “a perda de tempo” tem sido algo que muito me incomoda, quer pelas verdades que incorpora, quer pelos equívocos que impõe. Nada mais cruel do que a verdade das legiões de estudantes marginalizados pela miséria e pela incompetência do Estado em incluí-los no ensino a distância; nada menos verdadeiro do que a insistência e os lamentos de que certas  privações anulem a vida ou a tornem insuportável.

A equipe do nosso Colégio tem se esforçado para convidar os nossos alunos para o desfrute desse momento histórico. Desafio titânico ante os lamentos dos profetas do caos movidos por interesses escusos. Jogo desigual ante a ânsia inconfessável dos que insistem em minimizar o sofrimento universal. Porém, tarefa irrecusável de fazer nossos alunos se orgulharem do que conseguimos!

Mas, os verdadeiros educadores têm a genética materna, e jamais desistem de seus filhos!

É inaceitável que, em meio a um jogo mortal, alguém possa lamentar limitações confortáveis ou, o que é inadmissível, não acatar as limitações universalmente aceitas sob o pretexto de poder viver sua vida e, assim, malbaratar vidas alheias tentando usar uma liberdade sanitariamente assassina!

Ponderar e refletir nossa própria história é tornar o tempo nossa mais inalienável realidade, um fiel aliado!

Tempo perdido é o de milhares de pessoas que tiveram suas vidas roubadas pela omissão dos governantes. E a busca deste tempo só em Deus existe, para quem o tem. Para todos os demais, este é um tempo conquistado de rica, mesmo que dolorida, vivência.


Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

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