Eleições, cidadania e escola

Colégio FAAP

30 de outubro de 2020 | 15h04

Em véspera de eleições, surpreende o número de jovens que, tendo o direito de votar (mas não a obrigação), manifestam vontade de não o fazer. A descrença no jogo político e, principalmente, nas instituições, é um sintoma grave que compromete a democracia, delicada e preciosa conquista humana cujo valor só se percebe em sua ausência.

As bases de todos os fundamentos institucionais são lançadas na família e na escola. E na ausência dessa ação compromete todo o restante do processo de formação da cidadania. Esperar que a vida adulta faça o indivíduo despertar para a consciência cidadã e participativa é acreditar em um processo antinatural, é tentar um começo numa fase de maturação e que tem como resultado a inexistência de uma cultura política que faz com que sociedades caminhem à beira dos abismos autoritários que tão elevados preços cobraram à civilização.

As relações do educando com a autoridade e o poder legítimos são o trabalho de uma muito delicada carpintaria que pode ser comprometida, ou mesmo estilhaçada, por erros palmares: se a criança e os jovens necessitam da segurança da autoridade, da mesma forma necessitam que essa autoridade se fundamente no reconhecimento de posturas coerentes e, acima de tudo, num diálogo que não apequene seus interlocutores, que dê espaço e ouvidos para as dificuldades, limitações e contradições próprias do crescimento.

Com o diálogo sempre aberto como espaço de construção da participação, o surgimento da confiança que leva à integração e à harmonia nas atividades diárias familiares ou escolares permite que choques, ruídos e conflitos sejam atenuados, superados, demonstrando o valor de uma vida participativa e responsável. A aridez dessas condições (situação comum na “escola tradicional” que acreditava que a disciplina ideal era postura de servilismo burro), além de um resquício jurássico (inadmissível em nossos dias), criou gerações de cidadãos castrados para a vida em sociedades igualitárias e propensos a posturas de um radicalismo polarizante.

Mais do que trabalhar o conhecimento da dinâmica e estruturas das diversas instituições políticas, nosso Colégio se baseia na construção de uma cultura democrática pela essência mesma de suas posturas o que, em nada, implica em atitudes libertárias ou em um ambiente de permissividade, já que a construção mesma do conhecimento se assenta na disciplina consciente de estudo.

A participação política consciente depende do conhecimento das instituições apresentadas de forma imparcial e realista e, desse conhecimento, deriva a construção de uma cultura democrática –  única forma de frutificação de instituições participativas, igualitárias e da própria sobrevivência da civilização. Tarefas que, como insistimos, nascem ou morrem na família e na escola!

 

Professor Henrique Vailati Neto é diretor do Colégio FAAP – SP. Formado em História e Pedagogia, com mestrado em Administração. É professor universitário nas disciplinas de Sociologia e Ciência Política. Tem quatro filhos e quatro netos.

 

Troque ideia com o professor: col.diretoria@faap.br

Tudo o que sabemos sobre:

FAAPColégio FAAPeducaçãoEnsino Médio

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: